Base do governo teme desgaste com plebiscito de Sartori

Base do governo teme desgaste com plebiscito de Sartori

Aliados pedem que consulta para venda de estatais seja feita ainda este ano

Flávia Bemfica

Líder da bancada do PMDB, deputado Álvaro Boessio: "Base diz que se for para fazer (plebiscito), tem que ser logo"

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O PMDB gaúcho está longe do consenso sobre quando deve ser realizado o plebiscito pretendido pelo governador José Ivo Sartori (PMDB) para decidir sobre a venda de estatais e empresas sob o controle do Estado. Apesar de o governo divulgar a informação de que pretende fazer a consulta juntamente com as eleições municipais de 2016, muitos deputados e lideranças regionais avaliam que a data não é a mais conveniente.

Estes grupos defendem que o plebiscito seja realizado o mais breve possível, entre o final deste ano e o início do próximo. De público, eles justificam que a situação precária das finanças é o principal motivo para adiantar a consulta. Mas, internamente, receiam que a realização da consulta junto com a escolha dos novos prefeitos, vices e vereadores possa se transformar em um trunfo da oposição e prejudicar o desempenho do PMDB nas eleições.

O problema é conseguir justificar para a população o alto custo do processo, uma vez que o Executivo destaca sempre a crise financeira. Estimativas iniciais apresentadas à bancada estadual pelo chefe da Casa Civil, Márcio Biolchi, indicam que a consulta teria um custo de aproximadamente R$ 15 milhões para ser realizada em separado das eleições.

“Se for isso mesmo, é muito caro. Mas, ao mesmo tempo, a quase totalidade da bancada considera que, se for para fazer, tem que ser logo. Se não der mais tempo de ser este ano, que seja no início do ano que vem”, admite o líder da bancada do PMDB na Assembleia, deputado Álvaro Boessio. A mesma avaliação tem o líder do governo na Casa, deputado Alexandre Postal. “O melhor é fazer de uma vez. Quanto mais tempo esperar, pior”, resume Postal.

Na última terça-feira, durante o almoço da bancada que teve a participação de Biolchi, o secretário disse que, além da necessidade de justificar o custo, o governo terá que “correr contra o tempo” para fazer a consulta antes das eleições municipais de 2016. Os parlamentares, por sua vez, argumentam que, além de não associar a consulta com a disputa eleitoral, o cenário atual é mais seguro, com maiores chances de as vendas serem amplamente aprovadas pela população.

“Do jeito que as coisas vão, ninguém sabe o que as pessoas vão estar pensando daqui a um ano”, avalia um dos deputados.

PEC pode mudar exigência de consulta

A segunda preocupação do PMDB no que se refere a plebiscito para avaliar a opinião da sociedade sobre a venda de estatais no governo Sartori é específica sobre a situação da Capital. Em Porto Alegre, o partido avalia que terá candidato extremamente competitivo, o atual vice-prefeito Sebastião Melo, e não quer correr o risco de “arranhar”seu desempenho. Além disso, na Capital, durante a votação, muito provavelmente será realizada também a consulta sobre o cercamento do Parque da Redenção. O temor é de que os eleitores sejam submetidos a escolhas “demais”, e mudem facilmente de opinião.

O próprio Melo, contudo, minimiza possíveis dificuldades. “Não acredito que possa prejudicar o desempenho eleitoral do partido. Nas democracias consolidadas isso é comum. Do jeito que as coisas estão, o melhor é fazer o plebiscito sobre a questão das estatais o mais cedo possível. O problema é o custo”.

A outra opção considerada pelo governo do Estado é, no lugar de plebiscito, encaminhar à Assembleia, onde tem maioria, proposta de emenda constitucional (PEC) derrubando a exigência de realização do plebiscito para a venda de companhias e sociedades de economia mista sob o controle do Estado. Não é a alternativa preferencial. No núcleo do governo o entendimento é de que deixar a escolha para a sociedade reforça a imagem de administração democrática e evita a pecha de “privatista”.

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