Política

Bicheiro agiu para derrubar chefe do Dnit

Cachoeira diz em escuta da PF que ''plantou'' informações contra Pagot

Gravações da Polícia Federal mostram que o grupo do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, teria arquitetado uma forma de afastar Luiz Antônio Pagot do cargo de diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Pagot deixou o órgão em julho do ano passado depois de denúncias do esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina por meio de empreiteiras.

No dia 10 de maio de 2012, segundo gravações da PF, Cachoeira disse ao então diretor da Delta para o Centro-Oeste, Cláudio Abreu, que "plantou" as informações contra Pagot na imprensa. O material e uma entrevista com o ex-diretor do Dnit foram publicados pela revista Época. "Enfiei tudo no r... do Pagot", diz Cachoeira na gravação.

A revista Veja publicou reportagem em 2 de julho de 2011, na qual informou que representantes do PR, do então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, e funcionários de órgãos ligados à Pasta montaram um esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina por empreiteiras. Logo após a publicação da denúncia, a presidente Dilma Rousseff determinou o afastamento dos funcionários citados na reportagem.



A saída de Pagot teria sido comemorada pelo grupo de Cachoeira. "Fui surpreendido por ter sido afastado por meio de uma negociata de uma empreiteira com um contraventor", disse Pagot à revista Época, alegando não saber da articulação de Cachoeira para tirá-lo do cargo. "Isso serviu para que fosse ditado meu afastamento. É um verdadeiro descalabro."

O próprio Pagot, na entrevista, conta quatro episódios que geraram conflitos entre ele e a empreiteira. Num deles, a Delta subcontratou uma empresa sem consentimento do Dnit, que abriu processo administrativo contra a empreiteira. Em outro caso, o órgão questionou a espessura do concreto na obra da rodovia BR 163, em Serra de São Vicente, em Mato Grosso. Como era menor que a prevista no contrato, o que poderia provocar desgaste precoce, a Delta teve de repavimentar a estrada.

Ainda segundo Pagot, a Delta não justificou os atrasos no início das obras do Trecho Manilha-Santa Guilhermina da BR 101, no Rio. O último caso de descontentamento listado pelo ex-diretor foi o fato de a Delta estar entre as insatisfeitas com o resultado da licitação da duplicação da BR 060, em Goiás. Procurada, a Delta divulgou nota dizendo que se manifestará sobre isso nos foros "judicial e parlamentar".


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