A presidente Dilma Rousseff fez um dos mais inflamados discursos em defesa de seu mandato e contra o pedido de impeachment, nesta quarta-feira. Ao participar da 3ª Conferência Nacional de Juventude, em Brasília, evento que reúne lideranças jovens de todo o país, Dilma disse que "jamais houve desvio" durante seu exercício da presidência. "O mais irônico é que muitos que querem interromper meu mandato têm uma biografia que não resiste a uma rápida pesquisa no Google", disparou a presidente. Ela atacou enfaticamente adversários, disse que há uma "invenção de motivos" por parte dos que "tentam chegar ao poder de forma assaltar a eleição direta" e afirmou que tem o "compromisso de continuar mudando o Brasil".
Antes de seu discurso, vários participantes do evento puxavam coros de apoio a Dilma e contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Durante o discurso, ela foi interrompida algumas vezes por gritos de "Não vai ter golpe" e "Ai, a Dilma fica o Cunha sai". Cunha aceitou, no último dia 2 de dezembro, a abertura do processo de impeachment, cujo pedido foi feito pelos juristas Hélio Bicudo, Mighel Reale Jr. e Janaína Conceição Paschoal.
"Neste momento, usando todos os instrumentos que o Estado Democrático de Direito me faculta, lutarei contra a interrupção ilegítima do meu mandato", declarou a presidente, enumerando argumentos que, segundo ela, comprovam que os que tentam interromper o "mandato popular conquistado legitimamente" não encontram razões consistentes para o impeachment. "É a falta de razão que nós chamamos de golpe. A Constituição brasileira prevê sim esse processo. O que ela não prevê é a invenção de motivos. Isso nao está previsto em nenhuma Constituição." De acordo com Dilma, os argumentos sobre as mudanças no Orçamento não são consistentes pois "jamais houve desvio nenhum". Segundo ela, seus opositores oscilam entre "invenções e falácias porque não há como justificar o atentado que querem cometer contra a democracia".
"Não sustenta qualquer argumento porque não houve irregularidade. Nós pagamos o Bolsa Família sim. Pagamos o Minha Casa, Minha Vida sim. E, ao fazê-lo, sempre respeitando as leis e os contratos que existiam. Eu assinei decretos e mudanças na locação de recursos quando estes recursos sobravam e, portanto, podiam ser deslocados para outras atividades pela lei orçamentária aprovada neste país", afirmou.
Sem citar diretamente ninguém, a presidente elencou políticas implementadas pelos governos do PT desde 2003, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o governo. De acordo com a presidenta, "os que buscam atalho para o poder não querem derrubar apenas uma mulher" e sim um projeto. Dilma comparou a sua biografia com a de adversários políticos. "Sabem que têm de usar de artifícios porque não conseguirão nada atacando minha biografia, que é conhecida. Sou uma mulher que lutou. Amo meu país e sou honesta. Além disso, não compartilho com algumas práticas da velha política que alguns deles professam", criticou.
Biografia dos que querem impeachment "não resiste a pesquisa do Google", afirma Dilma
Presidente fez inflamado discurso em defesa do seu mandato na Conferência Nacional da Juventude