O Rio Grande do Sul também estava nos planos dos organizadores dos bloqueios às estradas realizados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) no segundo turno das eleições de 2022, conforme consta em denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. A ação é apontada como um dos elementos da trama que tentava impedir a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
De acordo com as investigações relatadas na denúncia da PGR, as cidades gaúchas que eram alvo das operações seriam Pelotas e Porto Alegre. As ações consistiriam em bloqueios de estradas e vistorias em veículos para atrapalhar o fluxo de eleitores.
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Em 30 de outubro de 2022, data do segundo turno das eleições, a PRF realizou mais que o triplo das abordagens a ônibus realizadas durante o primeiro turno. As operações se concentraram no Nordeste, reduto eleitoral de Lula. Na denúncia, a PGR aponta que essas operações serviram para “obstruir o funcionamento do sistema eleitoral e minar os valores democráticos, dificultando a participação de eleitores que se presumiam contrários ao então presidente”.
As investigações apontam que as ações foram organizadas por dois integrantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública: a delegada PF, Marília Alencar, que ocupava o cargo de diretora de inteligência; e Fernando Oliveira, diretor de operações; além do então diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques e do ex-ministro Anderson Torres.
Em trecho do documento, a PGR acusa o ex-diretor de direcionar “os recursos da PRF para o objetivo de inviabilizar ilicitamente que Bolsonaro perdesse o Poder”.
Para tanto, Marília havia solicitado a elaboração de um projeto intitulado “Business Intelligence” com o objetivo de coletar dados sobre a votação, em especial onde Lula havia derrotado Bolsonaro nas urnas. A ferramenta serviria como elemento para direcionar as ações de fiscalização da PRF no segundo turno.
Em um grupo denominado “Em Off”, os citados discutiam as ofensivas, como evidencia trechos da denúncia. “Belford Roxo (RJ) o prefeito é vermelho, precisa reforçar a PF”, diz uma das mensagens.
Foi Marília que demonstrou preocupação com as cidades gaúchas, ao afirmar que: “Pelotas foi 52x36 pro Lula”, “202 mil habitantes”, “POA (Porto Alegre) também, foda”, “49x39 para o Lula”. Ao que Fernando teria respondido: “Manda, o RS tem muito eleitor PT”.
Assim como Silvinei Vasques, Marília e Fernando estão entre os denunciados pela PGR. A eles foram imputados os crimes de formação de organização criminosa, que “utilizou violência e grave ameaça com o objetivo de impedir o regular funcionamento dos Poderes da República”, tentativa de golpe de Estado e atentar contra o Estado Democrático de Direito.