Política

Bolívia expressa preocupação com fuga de opositor ao Brasil

Senador contrário ao governo Evo Morales chegou ao País domingo

A Bolívia expressou nesta segunda-feira preocupação com a fuga do senador opositor Roger Pinto para o Brasil, onde chegou nesse domingo após ter permanecido asilado por 15 meses na embaixada brasileira em La Paz, informou o chanceler boliviano, David Choquehuanca. "Expressamos nossa profunda preocupação pela transgressão do princípio de reciprocidade e cortesia internacional", afirmou Choquehuanca em uma nota oficial diplomática.

Roger Pinto, asilado desde domingo no Brasil, é um advogado e pecuarista de longa trajetória política, que ocupou vários cargos públicos. Com 53 anos, nasceu no departamento amazônico de Pando, onde foi juiz e governador na década de 90, antes de se eleger deputado nacional e senador com o apoio da direita.

A carreira política de Pinto, um apaixonado pelo futebol, tem ao menos 30 anos. Foi aliado do então presidente Jorge Quiroga (2001-2002), e chegou ao Senado por Pando como candidato da Convergência Nacional (CN), nas eleições de 2009.

Em maio de 2012, Pinto pediu asilo na embaixada do Brasil em La Paz alegando perseguição política, após apresentar uma série de denúncias de corrupção no governo de Evo Morales. Durante 15 meses, Pinto esteve limitado ao prédio da sede diplomática brasileira em La Paz, onde recebia apenas a visita de três pessoas autorizadas: sua filha mais nova, Denise, um assistente e seu advogado.

Pinto tem outras duas filhas, Paola e Jeanine, e a mulher. As três vivem no Brasil. O governo Morales responsabiliza Pinto por casos de corrupção e desvio de verbas do Estado como governador de Pando e diretor da Zona Franca de Cobija (2000), onde teria utilizado irregularmente recursos da Universidade Amazônica de Pando.

Pinto também foi acusado por Morales de envolvimento no "massacre" em 2008 de uma dúzia de indígenas ligados ao governo durante um conflito político em Pando. Em junho passado, Pinto foi condenado a um ano de prisão por "dano econômico ao Estado", mas sua defesa alegou que a decisão era "política", com o objetivo de impedir sua saída do país.

Segundo a imprensa brasileira, Pinto viajou de carro de La Paz à cidade de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, de onde seguiu de avião para Brasília.Pinto chegou a Brasília com o senador brasileiro Ricardo Ferraço (PMDB), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado. Segundo Ferraço, Pinto viajou 22 horas entre La Paz e Corumbá a bordo de um automóvel da embaixada brasileira, escoltado por militares do Brasil.

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