Política

Bolsonaro defendeu não realizar conferência sobre clima no Brasil

Presidente eleito disse que queria evitar controvérsia entre o seu governo e setores ambientalistas

 O presidente eleito Jair Bolsonaro disse que teve participação na decisão do governo brasileiro de retirar sua candidatura para sediar a Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas (COP-25), destinada a negociar a implementação do Acordo de Paris, que ocorrerá de 11 a 22 de novembro de 2019.

O Itamaraty informou ontem sobre a decisão ao Secretariado da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima da Organização das Nações Unidas. Bolsonaro disse que queria evitar controvérsia entre o seu governo e setores ambientalistas sobre a criação do corredor ecológico internacional Triplo A e ainda alegou restrições orçamentárias. 

"Houve participação minha nessa decisão. Ao nosso futuro ministro Ernesto Araújo, indicado para o Ministério das Relações Exteriores, eu recomendei para que evitasse a realização desse evento aqui no Brasil. Até porque, eu peço que vocês jornalistas nos ajudem, está em jogo o Triplo A. Esse acordo, que é uma grande faixa, que pega a Cordilheira dos Andes, Amazônia, Atlântico, de 136 milhões de hectares, ao longo da calha dos rios Solimões e Amazonas, que poderá fazer com que percamos nossa soberania nessa área. Se isso for o contrapeso, nós teremos uma posição que pode contrariar muita gente, mas vai estar de acordo com o pensamento nacional. Então, não quero anunciar uma possível ruptura dentro do Brasil, além dos custos, que seriam, no meu entender, bastante exagerados tendo em vista o déficit que temos no momento", disse o presidente eleito. 

A ideia do corredor ecológico Triplo A propõe a construção de um corredor ecológico ligando a região da Cordilheira dos Andes ao Atlântico, com uma extensão de mais de 200 milhões de hectares. O projeto envolveria a região amazônica de oito países (Colômbia, Brasil, Peru, Equador, Venezuela, Guiana Francesa, Guiana e Suriname), afetando mais de 30 milhões de pessoas, incluindo 385 povos indígenas.

No Brasil, abrangeria os estados do Amazonas, de Roraima e do Amapá, representando 62% do território geral do corredor. Questionado se a decisão de suspender a COP-25 poderia trazer prejuízos à imagem do Brasil no exterior, Bolsonaro voltou a criticar a atual política ambiental e defendeu uma mudança de rumo no setor.

"O país que mais preserva no mundo somos nós, agora não pode uma política ambiental atrapalhar o desenvolvimento do Brasil, nós queremos uma política ambiental de verdade. Todos nós queremos preservar o meio ambiente, mas não dessa forma que está aí. Hoje, a economia, quase está dando certo apenas na questão do agronegócio e eles estão sufocados por questões ambientais, que não colaboram em nada para o desenvolvimento e a preservação do meio ambiente. Isso é um contraponto, mas uma verdade, por isso a demora na escolha do ministro do Meio Ambiente", disse.