Para ele, o problema pode ser resolvido, em médio prazo, a partir de parcerias com a iniciativa privada, aos moldes da proposta de concessão de aeroportos à iniciativa privada. “Há indícios de que o país saberá realizar os ajustes necessários, mas precisamos de um projeto de longo prazo”, observou. Fraga defendeu a necessidade de mudanças fundamentais para a manutenção do crescimento.
“Não vamos conseguir manter as taxas de crescimento sem mais eficiência do Estado. O momento requer menos ideologia e mais execução”, disse. Fraga destacou que a dimensão social, atualmente, está bem encaminhada. “A pobreza vem caindo de forma estável, a desigualdade de renda caiu para os níveis mais baixos desde 1960 e a renda de parcelas geralmente excluídas dos benefícios do crescimento vem crescendo a taxas chinesas”, comparou. Ele atribuiu o fenômeno à estabilidade macroeconômica, à expansão da educação e à agressiva política social nos últimos 16 anos. “Temos uma política antipobreza muito eficaz, mas precisamos avançar além do assistencialismo. É preciso ensinar a pescar”, assinalou Fraga.
O ex-presidente do Banco Central afirmou que a taxa de inflação se aproxima do teto da meta de inflação e, fora os preços administrados, a alta é generalizada e atinge inclusive o setor de serviços. O saldo em conta corrente se reduziu em mais de 4 pontos do PIB, apesar de um ganho de 40% na relação entre os preços médios de exportação e importação. Para ele, o Brasil precisa aumentar a taxa de investimento brasileira, que evolui lentamente para os atuais 18,4% do PIB, apesar dos esforços e subsídios do BNDES.
“Talvez tenha sido a maior frustração econômica do governo Lula, que reduziu significativamente o risco político do país, mas não conseguiu mobilizar nossos espíritos animais”, afirmou. Além da baixa taxa de investimento, na avaliação de Fraga, o Brasil vive hoje um início de crise no mercado de trabalho. “Temos carência de mão de obra qualificada em todas as áreas. Faltam engenheiros, mas também faltam operários”, observou.
Fraga ressaltou que o Brasil precisa investir e educar mais e melhor. “O governo precisa promover as reformas necessárias para contribuir com a sua parte, investindo mais e gastando menos, e revalorizando a boa regulação para mobilizar o investimento privado”, projetou. Segundo ele, a promessa da presidente Dilma Rousseff de aumentar a eficiência do Estado precisa ser cumprida. O atual cobertor curto no campo macroeconômico (inflação e juros altos e câmbio baixo) requer um ajuste fiscal com ênfase no longo prazo. “Além de juros mais baixos, o setor privado precisa de um Custo Brasil menor, de uma estrutura tributária mais racional e de uma infraestrutura melhor”, destacou.