“Não interferimos na vida dos outros países, não colocamos a vida de quem quer que seja em risco, cidadãos brasileiros ou de qualquer nacionalidade. Adotamos rigoroso conceito de não intervenção e só aceitamos ações excepcionais em defesa da preservação de vidas humanas se passarem pelo devido escrutínio e tiverem o amparo da (Organização das Nações Unidas) ONU”, disse a presidente.
A saída do parlamentar boliviano foi organizada pelo diplomata Eduardo Saboia, encarregado de Negócios (equivalente a embaixador interino) na Bolívia. Porém, para setores do governo, como a decisão foi tomada aparentemente de forma pessoal, houve quebra de hierarquia e se colocou em risco a vida do senador boliviano.
Dilma elogia Patriota
Apesar da saída em meio a uma crise, Dilma elogiou Patriota e desejou boa sorte à frente do novo desafio, como embaixador do Brasil na ONU, em Nova York. “Meu governo não pode e não quer prescindir de sua experiência e conhecimento, por isso continuará contando com sua colaboração na ONU. Os desafios de Patriota são de grande relevância e urgência ao Brasil.”
Em relação ao novo ministro, Dilma disse que ressaltou a qualificação para ocupar o posto e que é testemunha de sua competência há alguns anos, pela liderança em eventos importantes, como a COP-15, em 2009 em Copenhague, na Dinamarca, e a Rio+20, em 2012, no Rio de Janeiro.
Segundo a presidente, a consolidação do país como um ator importante no cenário internacional, exige novos padrões de comportamento. “Nos últimos anos o prestígio internacional do Brasil cresceu muito. Nosso país passou a ter voz ativa. Assumimos protagonismo e o mundo exige que nos comportemos de acordo com padrões elevados”.
Embaixador da Bolívia evita comentar troca no Itamaraty
O embaixador da Bolívia no Brasil, Jerjes Justiniano Talavera, reiterou que aguarda explicações formais do Ministério das Relações Exteriores. Ele evitou comentar o desdobramento do episódio - a troca no comando do Itamaraty, com a substituição de ex-ministro Antonio Patriota por Luiz Alberto Figueiredo Machado. “Esse é um assunto interno do Brasil. A Bolívia continua com a expectativa de manter as melhores relações (com o Brasil)”, ressaltou Justiniano Talavera, que participou da cerimônia de posse do novo chanceler e cumprimentou tanto Figueiredo quanto Patriota.
Para o governo boliviano, Pinto Molina, de 53 anos, é suspeito em mais de 20 crimes envolvendo corrupção e desvio de recursos públicos. Em entrevista, o senador boliviano negou envolvimento nos crimes financeiros e disse ser um “perseguido político”, por defender o direito de a oposição ter voz na Bolívia.
A saída de Pinto Molina da Bolívia é tratada pelas autoridades bolivianas como fuga. O advogado do senador, Fernando Tibúrcio Peña, disse que o parlamentar é um “asilado diplomático”, conforme documentos já submetidos a avaliação da Polícia Federal.
As autoridades bolivianas analisam a hipótese de pedir a extradição de Pinto Molina. O senador boliviano está temporariamente em Brasília, na casa do advogado, no Lago Norte, um bairro nobre da cidade.
O senador deixou a embaixada brasileira, onde ficou por 455 dias, com o apoio do encarregado de negócios (equivalente a embaixador provisório) do Brasil na Bolívia, Eduardo Saboia, que assumiu a responsabilidade pela operação. Porém, para setores do governo, como a decisão foi tomada aparentemente de forma pessoal, houve quebra de hierarquia. O Itamaraty abriu sindicância para investigar a atuação de Saboia.