Política

Brasileiro que vai investigar governo sírio diz que desafio será Assad colaborar

ONGs estimam que cerca de 2,6 mil pessoas morreram nos últimos seis meses na Síria

Nomeado pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas para chefiar a missão que vai investigar as denúncias de violação dos direitos humanos na Síria, Paulo Sergio Pinheiro, de 67 anos, ex-ministro-chefe da Secretaria de Direitos Humanos, disse nesta terça-feira que o desafio é convencer o governo do presidente sírio, Bashar Al Assad, a contribuir com as apurações.

“O argumento que tenho usado há muito tempo em outras missões na ONU (Organização das Nações Unidas) é que é muito mais interessante o Estado-membro em questão nos deixar entrar no país e colaborar com as investigações porque dessa forma o governo terá uma garantia que sua perspectiva vai estar no relatório, que devemos entregar até novembro”, disse Pinheiro.

O governo Assad é acusado de cometer uma série de violações dos direitos humanos, como torturas, agressões e assassinatos. Organizações não governamentais estimam que cerca de 2,6 mil pessoas morreram nos últimos seis meses na Síria desde que eclodiram as manifestações contrárias ao governo. Jornalistas e observadores estrangeiros têm sido impedidos de entrar no país.

Com uma larga trajetória em negociações internacionais no campo da defesa da preservação de direitos humanos, Pinheiro ressaltou que o caminho ideal é o do diálogo. “O diálogo nessas situações não pode nunca romper. O Alto Comissariado da ONU nunca rompe o diálogo com nenhum país por mais delicada e complexa que seja a questão”.

Em Brasília hoje, o ex-ministro participou das reuniões da Comissão da Verdade, que pretende apurar as denúncias de violações cometidas durante o período da ditadura no Brasil (1964-1985). Na Síria, Pinheiro comandará a comissão de inquérito formada também pelo turco Yakin Erturk, ex-relator especial sobre violência contra a mulher, e pela norte-americana Karene Abu Zeid, ex-comissária-geral de Ajuda e Trabalho das Nações Unidas.

O prazo para a conclusão dos trabalhos da comissão vai até o fim de novembro. Os especialistas pretendem reunir provas, fazer recomendações e apontar os responsáveis pelas denúncias que envolvem torturas, agressões de diversos tipos e mortes de manifestantes contrários ao regime de Assad.

Bookmark and Share