Os critérios das indicações, não raro, são vinculados à possibilidade do uso da máquina pública em defesa de interesses particulares. A indicação de CCs também serve de moeda de troca na hora de os partidos fecharem coligações, tornarem-se aliados de um candidato que venceu as eleições ou votarem projetos. "Nem sempre os critérios são técnicos. O governo, por exemplo, às vezes, aceita indicações diretas dos deputados porque tem interesse nas votações", admite o presidente estadual do PDT, Romildo Bolzan Jr.
Bolzan está entre os poucos que falam publicamente sobre a "flexibilidade" dos critérios utilizados pelos partidos. Segundo ele, no caso específico da aliança do PDT com o governo do Estado, os pedetistas ficaram com cerca de cem CCs. As indicações foram feitas pelo partido e pelas bancadas. "Temos uma lista. São CCs vinculados às secretarias das quais somos titulares e mais alguns ajustes. Só que o valor total dos salários dos CCs ocupados pelo PDT não temos", disse Bolzan. "Chegamos depois e não somos assim tão articulados como o PT e o PTB para a ocupação dos espaços", acrescentou.
De acordo com o pedetista, é inócuo da parte dos partidos tentar esconder o número de CCs que lhes cabe no governo, uma vez que as nomeações são publicadas no Diário Oficial do Estado. "É público."