Política

Briga pelas presidências de Câmara e Senado se encerra neste domingo

Dissidências marcam disputa no Congresso

Dissidências marcam disputa no Congresso
Dissidências marcam disputa no Congresso Foto : Ana Volpe / Senado Federal / CP
A disputa pelas presidências da Câmara dos Deputados e do Senado, que se decide neste domingo, movimenta parlamentares da base aliada e da oposição. Marcada por dissidências, a briga pelo poder no Congresso ganhou novo capítulo na sexta-feira, quando o senador Luiz Henrique (PMDB-SC) registrou sua candidatura na disputa pela presidência do Senado, contra seu colega de partido Renan Calheiros (PMDB-AL), o candidato oficial da sigla. Ao menos quatro dos 13 senadores petistas defendem o voto em Luiz Henrique.

Os quatro candidatos à presidência da Câmara fazem reuniões de última hora em busca do voto dos indecisos. Estão no páreo Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Arlindo Chinaglia (PT-SP), Júlio Delgado (PSB-MG) e deputado Chico Alencar (PSol-RJ).

Os ministros Pepe Vargas (Relações Institucionais), Patrus Ananias (Desenvolvimento Agrário), Edinho Araujo (Portos) e Kátia Abreu (Agricultura) se licenciam dos cargos para assumir mandato parlamentar e reforçar as votações para as mesas diretoras do Congresso. Eleitos para a próxima legislatura, Pepe e Patrus tomam posse domingo e participam da votação para a presidência da Câmara. Kátia Abreu faz o mesmo no Senado. Apesar de obrigatório o retorno e a permanência por, pelo menos, um dia no Congresso para garantir o mandato parlamentar, o reforço nas votações faz parte da estratégia do governo para manter uma composição que lhe seja favorável.

Colegas de sigla se enfrentam no Senado

Com o apoio de líderes de PDT, Dem, PSDB, PP, PSol, PSB e PPS e de senadores dissidentes do PMDB, Luiz Henrique (PMDB-SC) tenta impedir que Renan Calheiros (PMDB-AL) conquiste o quarto mandato como presidente do Senado. Luiz Henrique e os quatro dissidentes da bancada de 19 senadores do partido participaram da reunião da bancada do PMDB que escolheu Calheiros como o candidato da sigla. O catarinense calculava, na sexta-feira, ter o voto de 45 dos 81 senadores, número suficiente para ser eleito presidente. “Há 45 anos o mesmo grupo se eterniza na direção dessa Casa. São sempre os mesmos relatores”, argumenta Luiz Henrique.

Apesar da presença de líderes dos partidos ao lado de Luiz Henrique, não há garantia do apoio total das bancadas. O próprio líder do Dem no Senado, José Agripino Maia (RN), admitiu que pode não haver unanimidade. “Se não pela unanimidade, estamos aqui pela maioria expressiva desses partidos”, afirmou. O líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), disse que a bancada tucana havia fechado com Luiz Henrique. Para o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o “caminho natural” da sigla é fortalecer candidaturas que tenham melhores condições de garantir a independência que o Congresso “não teve nos últimos anos”. Para o futuro líder do PSB, João Capiberibe (AP), o partido vê a candidatura com simpatia. Para tentar ganhar votos do PT, Luiz Henrique anunciou que a primeira vice-presidência continuaria com os petistas. O PT teme perder o cargo para o PMDB. Ele conversou nos últimos dias com ministros, como Aloizio Mercadante (Casa Civil).

Base enfrenta ameaça de "rachas"

A eleição para a presidência da Câmara ameaça abrir um “racha” na base aliada da presidente Dilma Rousseff. Em meio a este cenário, os dois principais candidatos usam a mesma tática: prometem abrir mão de espaços aos quais têm direito na Mesa Diretora e nas comissões temáticas para tentar seduzir os partidos indecisos. O líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), considerado o favorito, e Arlindo Chinaglia (PT-SP), atual vice-presidente da Casa, indicaram que suas legendas vão abrir mão das vagas na estrutura de comando da Câmara.

Além da presidência, há uma dezena de postos na direção da Câmara além de 22 comissões temáticas que entram nas negociações para a formação dos blocos parlamentares de apoio aos candidatos. “O PMDB, diferente do PT, não tem projeto hegemônico único. Vamos abrir mão de espaço para que todos que participem desse projeto sejam beneficiados”, afirmou o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), um dos mais próximos aliados do líder do PMDB. O discurso do grupo que apoia Chinaglia segue a mesma direção. “O PT vai abrir mão de parte dos seus espaços. Vai fazer esse esforço, esse sacrifício”, disse o líder do governo na Casa, deputado Henrique Fontana (PT-RS). Até este sábado, Cunha e Chinaglia tentavam estancar “traições” no PP e PR, siglas que podem decidir a disputa. A votação é secreta.

O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), também candidato, recebeu apoio do senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB. Candidato “avulso”, com o apoio do PSol, o deputado Chico Alencar (PSol-RJ) critica os gastos dos adversários na disputa pelo comando da Casa e defende que apresentar as propostas deveria ser suficiente nesse tipo de eleição.