O pecuarista e amigo do ex-presidente Lula, José Carlos Bumlai, preso na 21ª fase da operação Lava Jato, ofereceu apoio político à construtora Schain para obter contratos com a Petrobras, segundo informou o procurador Diogo Castor de Mattos em coletiva nesta terça-feira. O empresário começou a ser investigado após a delação premiada de Fernando Baiano.
Segundo Mattos, um empréstimo contraído por Bumlai em 2004, tinha como beneficiário o Partido dos Trabalhadores (PT), sob a aparência de legalidade. E argumentou que tais empréstimos não cobrados são similares ao que ocorreu no escândalo do mensalão. "Conseguimos comprovar que o empréstimo de R$ 12 milhões a Bumlai não havia sido pago." O procurador informou também que as investigações mostraram que o pecuarista é autor de lavagem de dinheiro e movimentação ilegal de recursos com uso de empresa de fachada.
Apesar de o PT ter sido citado como beneficiário do empréstimo de fachada, o procurador Carlos Fernando de Souza Lima disse que o suposto caminho do dinheiro até chegar ao Partido dos Trabalhadores ainda está sob investigação. De acordo com o Ministério Público Federal, Bumlai utilizou contratos firmados na Petrobras para quitar empréstimos junto ao Banco Schain. No detalhamento do empréstimo, Diogo Castor disse que houve total perdão dos juros, o que mostra a irregularidade da transação. Ele citou que além do empréstimo principal que envolve a estatal petrolífera, há dezenas de outros empréstimos não pagos, envolvendo pessoas físicas e jurídicas, coisas de dezenas de milhões de reais.
Nesta fase da operação, a força-tarefa investiga o uso de empréstimos para a lavagem de dinheiro, diferente do uso de empresas de consultoria, como foi revelado nas etapas anteriores. A operação começou a partir da delação do ex-gerente internacional da Petrobras, Eduardo Vaz Musa, que citou a propina da empreiteira Schahin para Nestor Cerveró e outros executivos da estatal por meio de empréstimo do Banco Schahin para Luiz Carlos Bumlai.
Bumlai ofereceu apoio para construtora obter contratos, diz procurador
Amigo de Lula foi preso na 21ª fase da operação Lava Jato