Política

Bumlai ofereceu apoio para construtora obter contratos, diz procurador

Amigo de Lula foi preso na 21ª fase da operação Lava Jato

Amigo do ex-presidente Lula foi preso na Lava Jato nesta terça-feira
Amigo do ex-presidente Lula foi preso na Lava Jato nesta terça-feira Foto : Pedro Ladeira / Folhapress / CP
O pecuarista e amigo do ex-presidente Lula, José Carlos Bumlai, preso na 21ª fase da operação Lava Jato, ofereceu apoio político à construtora Schain para obter contratos com a Petrobras, segundo informou o procurador Diogo Castor de Mattos em coletiva nesta terça-feira. O empresário começou a ser investigado após a delação premiada de Fernando Baiano.

Segundo Mattos, um empréstimo contraído por Bumlai em 2004, tinha como beneficiário o Partido dos Trabalhadores (PT), sob a aparência de legalidade. E argumentou que tais empréstimos não cobrados são similares ao que ocorreu no escândalo do mensalão. "Conseguimos comprovar que o empréstimo de R$ 12 milhões a Bumlai não havia sido pago." O procurador informou também que as investigações mostraram que o pecuarista é autor de lavagem de dinheiro e movimentação ilegal de recursos com uso de empresa de fachada.

Apesar de o PT ter sido citado como beneficiário do empréstimo de fachada, o procurador Carlos Fernando de Souza Lima disse que o suposto caminho do dinheiro até chegar ao Partido dos Trabalhadores ainda está sob investigação. De acordo com o Ministério Público Federal, Bumlai utilizou contratos firmados na Petrobras para quitar empréstimos junto ao Banco Schain. No detalhamento do empréstimo, Diogo Castor disse que houve total perdão dos juros, o que mostra a irregularidade da transação. Ele citou que além do empréstimo principal que envolve a estatal petrolífera, há dezenas de outros empréstimos não pagos, envolvendo pessoas físicas e jurídicas, coisas de dezenas de milhões de reais.

Nesta fase da operação, a força-tarefa investiga o uso de empréstimos para a lavagem de dinheiro, diferente do uso de empresas de consultoria, como foi revelado nas etapas anteriores. A operação começou a partir da delação do ex-gerente internacional da Petrobras, Eduardo Vaz Musa, que citou a propina da empreiteira Schahin para Nestor Cerveró e outros executivos da estatal por meio de empréstimo do Banco Schahin para Luiz Carlos Bumlai.