O balanço do terceiro trimestre de 2014 divulgado pela Petrobras na madrugada desta quarta-feira não levou em conta o cálculo que apontou para a perda de R$ 88,6 bilhões nos ativos da companhia por corrupção ligada à operação Lava Jato. O número não foi usado, de acordo com a presidente da estatal, Graça Foster, porque a metodologia que apontou o valor não foi considera adequada.
O estudo mostrou que os ativos com valor justo abaixo do imobilizado totalizaram R$ 88,6 bilhões de diferença a menor. Os ativos que apresentaram valor justo com diferença a maior frente ao imobilizado totalizaram R$ 27,2 bilhões. O resultado líquido entre os dois números originou a perda potencial de até R$ 61,4 bilhões. O montante corresponde a praticamente todo o lucro acumulado pela estatal desde 2012, que foi de R$ 58,191 bilhões.
"O amadurecimento adquirido no desenvolvimento do trabalho tornou evidente que essa metodologia não se apresentou como uma substituta 'proxy' adequada para mensuração dos potenciais pagamentos indevidos, pois o ajuste seria composto de diversas parcelas de naturezas diferentes", sintetizou a companhia.
A divulgação do número, em um momento no qual o mercado aguardava o valor das perdas estimadas pela Petrobras com casos de corrupção, provocou maior turbulência sobre as ações da estatal. Por volta das 13h30, as ações preferenciais operavam em queda de 11,31%, sendo negociadas a R$ 9,02. As ações ordinárias caíam 11,51% e eram negociadas a R$ 8,53.
O montante de R$ 88,6 bilhões, não contabilizado, deverá passar por mudanças conforme sejam feitos ajustes nas métricas de avaliações implementadas pela Petrobras e por auditorias externas. De acordo com a estatal, o cálculo dimensiona eventuais perdas provocadas pelos casos de corrupção investigados na Operação Lava Jato, mas também deve levar em consideração variáveis como taxas de câmbio, mudanças nos projetos e até mesmo equívocos no planejamento desses projetos, entre outras razões.
No balanço divulgado, que levou em conta o período de julho a setembro do ano passado, apontou para um lucro líquido consolidado atribuído aos acionistas de R$ 3,087 bilhões, um recuo de 38% ante igual período de 2013. O Ebitda ajustado, por sua vez, foi de R$ 11,735 bilhões, o que representa uma queda de 28% ante o mesmo intervalo do ano anterior.
Perdas
Para chegar a esse número, a Petrobras e avaliadores internacionais independentes analisaram ativos que, juntos, tinham valor justo de R$ 188,4 bilhões, praticamente um terço do ativo imobilizado total da Petrobras, de R$ 600,1 bilhões. Fazem parte da lista projetos cujos contratos foram firmados entre a Petrobras e as empresas citadas na Operação Lava Jato entre 2004 e abril de 2012, período no qual o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa integrava a diretoria da estatal.
Os auditores externos responderam por 81% do ativo total avaliado. A análise dos outros 19% ficou sob a responsabilidade de equipes técnicas da Petrobras, "porém com total consistência metodológica e de premissas com o trabalho realizado pelos avaliadores independentes", informou a estatal. O estudo mostrou que os ativos com valor justo abaixo do imobilizado totalizaram R$ 88,6 bilhões de diferença a menor. Os ativos que apresentaram valor justo com diferença a maior frente ao imobilizado totalizaram R$ 27,2 bilhões. O resultado líquido entre os dois números originou a perda potencial de até R$ 61,4 bilhões amplamente comentada por analistas em relatórios publicados na manhã desta quarta.
Cálculo não usado por Petrobras apontou perda de 88,6 bilhões por corrupção
Número ficou fora do balanço porque metodologia não foi considerada adequada