Câmara abre sindicância contra Lupi por ocupar cargos simultâneos

Câmara abre sindicância contra Lupi por ocupar cargos simultâneos

Conselheira da Presidência aponta falhas "inquestionáveis e graves" do ministro como gestor

AE

Câmara abre sindicância contra Lupi por ocupar cargos simultâneos

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A Câmara dos Deputados irá abrir sindicância para apurar se o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, acumulou cargos públicos simultâneos como assessor parlamentar da Câmara dos Deputados e da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. O fato teria ocorrido entre dezembro de 2000 e novembro de 2005, conforme anúncio do presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS).

Ele havia pedido à Diretoria-Geral da Casa, um levantamento sobre o período em que Lupi ocupou cargo na Câmara e sobre as regras que vigoravam na época. Maia apurou que as regras para os ocupantes de cargos comissionados (CNEs) permitiam, à época, a existência de funcionários da Câmara em outros Estados, mas que não sabe se poderia haver trabalhos simultâneos. “Hoje fomos informados de que havia uma segunda contratação. A sindicância vai ajudar a apurar se de fato isso aconteceu”, revelou.

A pressão contra Lupi vem também da conselheira da Comissão de Ética da Presidência, Marília Muricy. Ela fez uma dura análise do comportamento do pedetista, condenando "suas inquestionáveis e graves falhas como gestor" e a "irresponsabilidade de seus pronunciamentos públicos". Para a conselheira, o ministro misturou "aparente indiferença" quanto às acusações e "certa dose de arrogância".

"É inequívoca a falta de zelo na conduta do denunciado que, mesmo alertado pelos órgãos de controle, não tomou medidas hábeis para evitar as ocorrências que hoje culminam com uma enxurrada de denúncias que abalam a administração pública federal como um todo", opiniou o relatório aprovado por unanimidade pela Comissão.

A conselheira observa que auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) já haviam encontrado irregularidades na aplicação de recursos e em convênios, "nada indicando qualquer êxito em suas alegadas tentativas de correção de rumos. O ministro somente solicitou apuração pelas instituições competentes após a divulgação das denúncias pela imprensa", observou.


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