Política

Câmara adia votação de reajuste dos aposentados

João Carlos Bacelar (PR-BA) pediu prazo de uma sessão para apresentar parecer

Mesmo com mais de 500 aposentados sentados nas galerias do plenário da Câmara, desde às 14h desta quarta-feira, à espera da votação do reajuste para aqueles que ganham mais de um salário mínimo, a apreciação do projeto que trata do assunto foi adiada mais uma vez. O relator da Medida Provisória nº 466, deputado João Carlos Bacelar (PR-BA), pediu prazo de uma sessão para apresentar seu parecer sobre o texto, que trata do setor elétrico.

O presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), atendeu o pedido de Bacelar. “Não há como negar o pedido do relator, que é regimental”. Ao pedir o adiamento, Bacelar fez elogios aos aposentados, mas ressaltou que não tinha como dar o parecer às emendas do Senado à MP. “Essa Medida Provisória é a mais importante do setor elétrico brasileiro.”

Como a medida está trancando a pauta, nenhuma outra matéria poderá ser votada antes dela. Com isso, a votação do reajuste dos aposentados não poderá ocorrer antes da apreciação da MP 466. Os aposentados ouviram o relator e o presidente da Câmara em silêncio, mas, em seguida, gritaram diversas vezes para que os deputados votassem ainda nesta quarta-feira o reajuste. Depois, cantaram o Hino Nacional.

O vice-líder do DEM, Onyx Lorenzoni (RS), foi à tribuna da Câmara para afirmar que seu partido vai ajudar a votar a proposta de emenda à Constituição que trata dos precatórios e, em seguida, entrará em obstrução e em vigília pela aprovação do reajuste dos aposentados.

Antes do inicio da sessão, o líder do PT, deputado Cândido Vaccarezza (SP), afirmou que não há condições de votar o reajuste neste momento, até porque está em andamento uma negociação entre o governo e os aposentados. “É uma votação complexa e para votar é preciso ter acordo. Não é correto vincular o reajuste ao concedido ao salário mínimo”.

De acordo com o líder, no governo Lula os aposentados tiveram reajuste maior do que a inflação e “os que ganham mais de um salário mínimo receberam a inflação do período”. Segundo ele, o governo está buscando um acordo para resolver o impasse do reajuste dos aposentados que ganham mais de um salário.

Vaccarezza defendeu que o governo conceda um reajuste aos aposentados a partir de primeiro de janeiro do ano que vem e continue a discussão sobre o fator previdenciário.

Mesmo com pedidos frequentes de Temer para que os aposentados se contivessem, todas as vezes que algum deputado da base usava a tribuna para tentar explicar por que a proposta não seria votada, eles se manifestavam repudiando as afirmações dos parlamentar governista.