Política

Câmara aprova doações de empresas a partidos políticos

Manobra de Cunha reverteu decisão dessa terça que havia vetado verbas de pessoas jurídicas

Manobra de Cunha reverteu decisão dessa terça que havia vetado verbas de pessoas jurídicas
Manobra de Cunha reverteu decisão dessa terça que havia vetado verbas de pessoas jurídicas Foto : Luis Macedo/Agência Câmara/CP
Numa grande mobilização feita pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-SP), o Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, por 330 votos a 141 e uma abstenção, emenda à proposta da reforma política que autoriza o financiamento privado de campanhas com doações de pessoas físicas e jurídicas. A manobra quebrou acordo dessa terça-feira, quando Cunha disse que colocaria a questão em votação apenas uma vez, mas ao ser derrotado, voltou a apresentar com nova redação. 

O texto ficou a cargo do deputado Celso Russomanno (PRB-SP), modificando apenas quem poderá receber doações. No caso, empresas privadas só poderão doar a partidos, que redistribuirão as verbas aos candidatos. Na emenda, não foi definida uma obrigação de identificação da origem das doações, podendo serem retomadas as "doações ocultas".  Os limites máximos de arrecadação e os gastos de recursos para cada cargo eletivo deverão ser definidos em lei.

A volta do tema à pauta de votações provocou fortes críticas de parlamentares do PT e de alguns partidos da base governista. O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) disse que a emenda reproduz, com pouca alteração, a proposta de financiamento empresarial que já havia sido rejeitada. "É uma tentativa de repor o que foi derrotado, colocando ainda mais confusão no processo eleitoral." Zarattini defendeu o incentivo ao financiamento de pessoas físicas, excluídas as empresas. "Não adianta dizer que não temos tradição, isso não ocorre atualmente porque nunca fomos atrás", declarou.

O deputado Rubens Pereira Júnior (PCdoB-MA) disse que o objetivo da reforma política é apenas colocar na Constituição o financiamento empresarial, acabando com a polêmica com o Supremo Tribunal Federal (STF), que tem uma ação contra a doação de empresas que já teve voto favorável de seis ministros. "Mudança de sistema, fim da reeleição, é tudo cortina de fumaça. O objetivo é colocar na Constituição o financiamento empresarial. Essa votação é uma coletânea de votos perdidos no STF. Perderam no Supremo e agora querem aprovar", afirmou.

Veja abaixo como votaram os deputados: