Política

Câmara aprova projeto que incentiva conclusão de “esqueletos”

Prédios beneficiados estão localizados no Centro Histórico de Porto Alegre

Opositores afirmam que projeto põe em risco a estabilidade estrutural do Museu Júlio de Castilhos
Opositores afirmam que projeto põe em risco a estabilidade estrutural do Museu Júlio de Castilhos Foto : Francielle Caetano/CPMA/Divulgação CP
Os vereadores de Porto Alegre aprovaram o projeto de lei que permite a conclusão de prédios históricos inacabados no Centro de Porto Alegre, sob o regime do Plano Diretor da década de 70. Uma emenda permite que ainda sejam contemplados os projetos na planta, aprovados antes de 1999, quando o Plano Diretor foi alterado. Sem essa emenda, a Prefeitura previa quatro empreendimentos beneficiados pelo projeto.

Fernanda Melchiona, do PSol, que votou contra a matéria, disse suspeitar que os donos de terrenos do Centro Histórico tenham parado propositalmente as atividades, aguardando o tempo necessário para lucrar com a especulação imobiliária, através da atual valorização, e ainda com o benefício de terminar uma obra sob as regras de um Plano Diretor ultrapassado, que mal respeita a altura das edificações.

Já o vereador Reginaldo Pujol, do DEM, disse que a matéria está bem clara e definida, principalmente, esclarecendo que somente projetos com fundações ou com parte da obra iniciada terão direito à conclusão, conforme o modelo aprovado. Idenir Cecchim, do PMDB, foi favorável à iniciativa, mas defendeu, em contrapartida, a desapropriação de prédios que são verdadeiros "QGs para o crime". Cecchim citou o exemplo do esqueleto da Praça XV, que já foi alvo de fiscalizações da Smic por servir de depósito para mercadorias contrabandeadas, entre outros produtos ilegais. O peemedebista afirmou que o prédio soma cerca de 50 proprietários, com posse duvidosa e ilegal, sem interesse em uma reforma.

A maior polêmica é a construção de um hotel de 13 andares em área no entorno do Museu Júlio de Castilhos, na rua Duque de Caxias. O terreno é de propriedade do engenheiro Vitorio Piffero, que acompanhou a votação e garantiu que o empreendimento vai revitalizar e valorizar o Centro Histórico. Os opositores afirmam que ele põe em risco a estabilidade estrutural do Museu, recém reformado.

Emenda mudou projeto


Das três emendas aprovadas, uma estendeu o benefício a todos os proprietários de imóveis que estejam localizados no Centro Histórico e que tiveram projeto original aprovado antes de 1999. A mesma emenda reduziu o prazo para a conclusão das obras, de cinco para três anos, a contar do licenciamento. Todas as modificações devem atender ao Código de Edificações e às legislações de proteção contra incêndio e de acessibilidade vigentes à época do pedido de aprovação da obra.

Sem as emendas, o projeto do Executivo previa beneficiar quatro imóveis:


(1) com frente para a rua Marechal Floriano Peixoto, nºs 10, 16,18 20 e avenida Otávio Rocha, 49;
(2) com frente para a rua Coronel Fernando Machado, 860, e rua Duque de Caxias, 1.247 (ao lado do Museu Julio de Castilhos);
(3) com frente para a rua Duque de Caxias, 1.195, e rua Espírito Santo, nºs 70 e 76;
(4) com frente para avenida Júlio de Castilhos, 585, e rua Comendador Manoel Pereira, 182.


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