Política

Campos e Marina deixam em aberto candidatura à presidência

Aliados políticos discursaram para correligionários neste sábado em Porto Alegre

Aliados políticos discursaram para correligionários neste sábado em Porto Alegre
Aliados políticos discursaram para correligionários neste sábado em Porto Alegre Foto : Tarsila Pereira
Ainda que a militância do PSB e da Rede tratem o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, como candidato a presidente, e Marina Silva como candidata à vice, o pernambucano garantiu que estas posições ainda não estão definidas. Segundo Campos, que evitou tratar do tema neste sábado em entrevista coletiva em Porto Alegre, o lançamento das candidaturas ocorrerá no fim de março.

Questionado se o tema segue em aberto, Campos respondeu afirmativamente. “Vocês nunca me viram dizendo que eu sou candidato ou Marina dizendo que é candidata. Há muitas pessoas que falam, vão construindo um entendimento, uma chapa”, afirmou.

Sobre os cerca de 10% de votos apontados nas pesquisas eleitorais para Campos, frente aos 19% alcançados por Marina nas eleições presidenciais de 2010, a ambientalista afirmou que é muito cedo para avaliar estes números. “Em 2010, por essa data, eu estava com 3%. O governador já está com 10%. A situação dele está bem melhor que a minha. Essa métrica não é razão para se criar um constrangimento”, avaliou.

Questionado sobre os efeitos das declarações do deputado federal gaúcho Luiz Carlos Heinze (PP) para uma possível aliança estadual entre PSB, Rede e PP, Campos afirmou que o tema cabe às direções estaduais dos partidos. Sobre o conteúdo da afirmação de Heinze, de que gays, lésbicas, índios e quilombolas “são tudo o que não presta”, Campos classificou como “visão preconceituosa, atrasada, e completamente superada na política brasileira”. Já Marina, afirmou que não tem “sequer parâmetro para avaliar as declarações de Heinze”.

Acerca das políticas de legalização do aborto e da plantação e consumo de maconha implementadas no Uruguai, Campos disse discordar de ambas por ser “político, cristão e pai”. Segundo ele, a legislação sobre aborto é “suficiente”, enquanto “a lei sobre drogas precisa ser adequada para cuidar como saúde pública dos dependentes químicos”.

Campos e Marina discursaram para mais de mil correligionários de PSB, Rede e PPS que lotaram o Teatro Dante Barone, na Assembleia Legislativa. Enquanto Marina focou seu discurso naquilo que ela considera uma “crise civilizatória”, que inclui crises ambientais, política e de valores, Campos tratou mais de avaliar a conjuntura política-econômica nacional, afirmando que é preciso “romper o velho pacto político” e que “o país parou”. Ele destacou que o crescimento econômico brasileiro está na metade do apresentado pelos demais países da América Latina.

A surpresa no evento ficou por conta da aparição do senador Pedro Simon (PMDB), que falou antes de Marina e afirmou que a eleição de 2014 “é a mais importante de todos os tempos”. O senador aproveitou a oportunidade para criticar o governo, apontando que “nada é mais igual que o PSDB no governo que o PT”.


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