Primeiro bloco: habitação
Roberto Robaina criticou a atual administração por investir mais em cargos de confiança (CCs) que em moradia. “Sou a favor da redução dos CCs, essa é a meta do Psol.” O atual prefeito ressaltou os resultados do programa Minha Casa, Minha Vida, executado em parceira com o governo federal. “Fizemos com que seis mil famílias puderam ter moradia. Duas mil através do programa. É fundamental que se possa buscar recursos”, reforçou Fortunati.
Wambert di Lorenzo discordou. “Sou contra pedir esmola em Brasília. Se eu for prefeito, vou reestruturar o departamento de desfavelização do Demhab, para retirar as pessoas do esgoto, do lixo, sobretudo nas vilas”, disse. Ao questionar Manuela D'Ávila, o concorrente do PSTU recordou o caso da desocupação de um terreno no bairro Guajuviras, em Canoas. “Tu tens reivindicado muito o governo de Canoas, que expulsou 450 famílias usando a polícia do Tarso”, disparou.
A comunista optou por falar de moradia e saneamento. “Mais que um projeto de saneamento, há um componente social no Pisa (Programa Integrado Sócio Ambiental). Um compromisso assumido por José Fogaça era retirar 1680 famílias de áreas de risco. Entretanto, 1050 famílias seguem nessa área. Ser prefeito é assumir ônus e bônus.”
Villaverde defendeu a execução do Minha Casa, Minha Vida. “Temos dois programas importantes. O Regulariza POA, um forte programa de regularização fundiária das 750 áreas irregulares. E o
Minha Casa Minha Porto Alegre, em parceria com o governo federal. Vamos enfrentar o déficit de habitação construindo 10 mil casas por ano”, garantiu. Para Jocelin Azambuja, o aumento da população acarreta em mais vilas irregulares. “Temos hoje mais de 300 em Porto Alegre. Ninguém resolve o problemadisse.
Segundo bloco: gestão
Robaina deu início à discussão sobre gestão ao defender a redução dos CCs na prefeitura. “É necessário reduzir em 70%. Não como economia, mas também do ponto de vista moral”, alegou. Azambuja concordou. “Somos parceiros dessa ideia. Precisamos investir mais nas questões básicas da população. No governo, não vamos ficar reféns de partidos”, afirmou o candidato, que coloca a educação como prioridade.
Érico Correa acendeu a polêmica sobre as recentes greves dos servidores municipais. Acusou a administração atual de ser modelo de concessão para ricos. “Enquanto isso, faltam servidores e o serviço é ruim e ineficaz.” Em resposta, o atual prefeito se disse tranquilo em relação aos movimentos e à relação com os servidores. “Tenho tratado com maior respeito os servidores. Temos diálogo. Isso termina em assembleias que aprovaram todas as propostas que nós construímos”, defendeu-se.
Manuela aproveitou para retomar as críticas a Fortunati. “Essa é uma administração que só assume a parte boa. Que inaugura obras a quatro meses da eleição. “Nós mudaremos isso com projetos estruturantes.” Di Lorenzo defendeu plano de carreira para os servidores concursados. “Um gestão eficiente, de resultados, implica na qualidade de vida das pessoas. Estamos preocupados com a modernização, com uso da tecnologia da informação.”
Villaverde resumiu seus projetos para a gestão, baseados em planejamento e relacionamento. “Para executar políticas públicas, você precisa de três coisas: muita relação com aqueles setores que colocam as demandas, competência nos projetos e planejamento.”
Terceiro bloco: segurança
Foi na terceira etapa do debate que os ânimos se acirraram e Fortunati e Manuela trocaram acusações. Sobre o tema segurança, o atual prefeito ressaltou que a responsabilidade da Brigada Militar (BM) é do governo do Estado. Mas lamentou o déficit de policiais e afirmou trabalhar em alternativas para evitar a violência. “Temos hoje a maior defasagem da história, faltam 2500 brigadianos em Porto Alegre. Estamos iluminando praças, sim, aumentando número de guardas municipais, fazendo cercamento eletrônico de praças e parques, operando em conjunto.”
Di Lorenzo concordou que a responsabilidade pela BM não é exclusiva do prefeito. “A responsabilidade é do Estado. Concordamos que a cidade precisa ser iluminada, precisa de guardas municipais. Mas não dá para o prefeito assumir tudo sozinho. Vou cuidar da segurança conveniando a polícia comunitária com a Brigada.” Para Villaverde, a violência deve ser combatida com prevenção. “É importante fazer política de enfretamento a violência e prevenção, que é absolutamente fundamental.”
Roberto Robaina acredita no investimento em esporte e cultura como forma de afastar os jovens do crime. “Construir pistas de skate nas praças, quadras de futebol, handboll, de vôlei; e isso necessita de recurso público”, disse. Para o candidato do PSTU, a violência está diretamente ligada aos problemas sociais. “Não se houve falar em melhorar as condições de vida da população. As pessoas não dizem o porquê que existe crime, que pessoas moram em vilas sem saneamento, não têm educação de qualidade e saúde. Tem que dar condições dignas de vida à população”, ponderou Érico Correa.
Manuela D’Ávila afirmou que “a segurança não é tratada de maneira prioritária”. Para Azambuja, a prefeitura deveria interferir mais no combate ao crime, assumir uma postura mais forte. “Quero ter um gabinete de inteligência efetivo com a BM, Polícia Civil e PF. E uma Delegacia de Polícia em cada bairro”, propôs.
Quarto bloco: cultura
Wambert Di Lorenzo começou o debate dizendo que “não existe cultura popular na cidade. “Vou usar a rede de CTGs. O movimento tradicionalista é importantíssimo para a difusão da cultura.” Villaverde lembrou os governos anteriores do PT. “Porto Alegre foi referência na área da cultura. Tínhamos cultura descentralizada, dirigida para bairros e vilas”, recordou. “Queremos construir dois grandes centros na Capital.”
Fortunati falou do Acampamento Farroupilha e da inauguração do Araújo Vianna. “Porto Alegre realiza diversas ações que visam aprofundar a questão cultural. O Porto Alegre Em Cena acabou como o maior festival de teatro da América Latina. Estamos construindo o estúdio Geraldo Flach, que vai permitir a gravação de CDs por artistas de periferia.” Robaina criticou a parceira público-privada para a reabertura do auditório e a elevação dos preços dos ingressos.
Jocelin Azambuja propôs cultura associada à educação. “Queremos criar centros culturais, queremos que o POA Arte tenha acesso à internet, e pequenos teatros para diversas culturais musicais. Precisamos construir uma nova filosofia.”
Manuela quer construir, nos centros comunitários que já existem, um espaço referência de cultura e esporte. “O Porto Seco é utilizado apenas 14 dias por ano”, exemplificou. Erico Correa defendeu a Cidade Baixa. “Há algum tempo acontece uma tentativa de elitização da região. Primeiro, com a violência ao tentar retirar a população LGBT que frequenta o bairro. E agora tentar atacar comerciantes para ceder aquele espaço para os megaeventos.”