Em uma campanha curta e na qual as atenções estão voltadas mais para a eleição presidencial, os candidatos à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa deixaram para intensificar sua propaganda na reta final da disputa. E a reta final começa nesta semana. Por isso, deputados ou aspirantes começaram a inundar as ruas com seus materiais de campanha. Em Porto Alegre, dezenas — às vezes, mais de uma centena — de cavaletes, placas e lonas, disputam canteiros de vias de grande movimento, como a Osvaldo Aranha, a Ipiranga, a Nilo Peçanha, e de espaços como o entorno da estação rodoviária e do Túnel da Conceição.
O volume, admitem os candidatos, tende a aumentar até 5 de outubro. Mas a propaganda que consome centenas de milhares de reais, e não raro se transforma em transtorno para eleitores, é apontada por parte dos candidatos como “coisa do passado”. Com a eficiência questionada e solapada pelas redes sociais, ela foi alvo da minirreforma eleitoral e será inexistente a partir do pleito de 2016.
Os problemas que envolvem o material de rua puderam ser observados na semana que passou, quando o vento derrubou e arrastou placas e cavaletes. E a chuva serviu de pretexto para que os materiais não fossem recolhidos à noite, conforme determina a legislação.
Os transtornos, porém, vão bem além dos caprichos do tempo. A campanha que gera poluição visual na rua é cara. Uma placa pronta com dimensão de 2 metros de largura por 1 metro de altura custa cerca de R$ 50. Uma lona pequena (1 m x 50 cm) fica na faixa dos R$ 7. Se a placa for de PVC, o custo mais do que dobra. Os cavaletes pequenos (1 m x 50 cm) em polionda saem, em média, por R$ 15. E a maior parte dos candidatos encomenda centenas desses itens.
Material na rua, os problemas continuam. Há a disputa por espaço, o melhor ângulo, e a vigilância. Por isso, nesta reta final de campanha, surge uma nova profissão: o olheiro de placa e cavalete. O olheiro é contratado pelo candidato para cuidar do seu material. Porque a briga pelo espaço inclui placa derrubada, rasgada e roubada, com direito a estilete como instrumento de trabalho. “Pior de tudo é que o roubo das placas, por exemplo, é feito mais por adversários de dentro do partido do que de fora”, admite um deputado.
O que dizem os candidatos
• Onyx Lorenzoni (Dem): “Todos temos um mega ponto de interrogação sobre o quanto funciona a propaganda de rua. Acredito que esta vai ser a última eleição de muro, placa e cavalete. Eu uso ainda porque, às vezes, se o eleitor não vê a tua propaganda na rua, acha que a candidatura não está competitiva. Mas a campanha digital é muito mais eficiente do que ficar poluindo. Essa aí (de rua) está no suspiro final.”
• Jerônimo Goergen (PP): “No Interior tem um tipo de situação, porque o pessoal é mais cuidadoso. Mas em Porto Alegre não fiz praticamente nada de placa e cavalete porque achei que ia acabar sendo negativo. Aumenta o custo e a sujeira, ou seja, tem o risco de mais tirar votos do que trazer. Já aquelas placas fixas grandes em estradas e terrenos são diferentes. São uma espécie de demarcação do território, mostram a força da candidatura.”
• Henrique Fontana (PT): “Na propaganda na TV, devido ao grande número de candidatos, as falas são muito curtas. Tenho apostado em redes sociais e corpo a corpo, mas o visual de rua, especialmente em grandes cidades, é importante. É claro que sem placas seria melhor, é uma despesa grande. A rede social e o panfleto te permitem mandar um recado mais específico. Procurei de certa forma fazer isso nas placas também.”
• Alceu Moreira (PMDB): "Você coloca um quadro no seu Facebook e, se tem o que dizer, em poucas horas milhares de pessoas visualizam. É muito mais eficiente do que a placa na rua. Essa aí, a tendência é acabar. É um risco. Para se ter uma ideia, há lugares até com pessoal armado cuidando. Por isso fiz poucas. Nos últimos dias, vou colocar algumas em Porto Alegre, em pontos específicos, de destaque.”
*Os candidatos figuram entre os que, em seus respectivos partidos, dispõem de mais recursos para suas campanhas.