A disputa deste ano pela prefeitura de Porto Alegre poderá ter o maior número de candidatos dos últimos quatro pleitos. Até o momento, há 11 pré-candidatos cuja intenção de concorrer já está publicamente anunciada pelos partidos, aguardando apenas a oficialização através das convenções partidárias. Pelo menos mais um, o secretário da Educação, Vieira da Cunha, deverá confirmar a candidatura na próxima semana.
Poderão ser 12 candidatos, no mínimo, que disputarão o pleito no primeiro turno, o que fracionará o tempo de propaganda em rádio e televisão e poderá tornar os debates na mídia um monólogo de poucos minutos para que o candidato se manifeste. Número idêntico de candidatos somente ocorreu no pleito de 1996, quando 12 participantes disputaram a prefeitura, e o candidato Raul Pont (PT) se elegeu com 53,71%, superando a ex-governadora Yeda Crusius (PSDB-PL-PSC-PSL-PFL), que obteve 21,98% dos votos.
Da eleição de 1996 até agora, o número de candidatos tem caído, com as legendas privilegiando a eleição proporcional e as alianças em torno da candidatura majoritária. No último pleito, em 2012, sete pretendentes se apresentaram no primeiro turno.
Falta de recursos desafia partidos
As eleições municipais serão marcadas pela redução de investimentos em campanhas e por alianças determinadas pela soma de tempo para propaganda. É o que dizem os presidentes de partidos que concorrerão à prefeitura de Porto Alegre. Dirigentes de algumas das legendas concorrentes consideram que escapar de tais limitações poderá ser importante diferencial para ganhar o voto do eleitor. Eles preveem ainda a volta do corpo a corpo para driblar a falta de recursos.
De acordo com o presidente do PP na Capital, vereador Kevin Krieger, a decisão da executiva nacional definirá a competitividade de uma candidatura majoritária municipal. “Se a nacional não acreditar na candidatura, aplicando parte do recurso do Fundo Partidário, ficará muito difícil”, avalia, referindo-se à limitação que deverá ser imposta ao partido pela proibição das doações de empresas.
Redes sociais são alvos
O presidente municipal do PT, Rodrigo Oliveira, considera que será necessário investir nas redes sociais e em um modelo de campanha que aponte respostas realistas para as demandas sociais. “Acabou a farra dos marqueteiros”, aposta o petista.
Antenor Ferrari, presidente do PMDB em Porto Alegre, prevê que a limitação financeira obrigará os partidos a adotar práticas tradicionais de campanha. “Será a volta do corpo a corpo”, acredita Ferrari. Ele admite, porém, que será muito difícil que as alianças não sejam pautadas pelo tempo de propaganda. “O PMDB, isolado, tem apenas um minuto e 20 segundos. Queremos compor com, pelo menos, sete aliados, chegando perto de cinco minutos”, contabiliza.
O presidente do PTB da capital gaúcha, o deputado estadual Maurício Dziedricki, diz esperar alta competitividade nas campanhas pela inserção de entidades comunitárias. De acordo com Dziedricki, “a disputa pelos votos ocorrerá nas associações de bairro, sindicatos, clubes de mães”. Para ele, “as pessoas estão fartas de discursos e ideias que não correspondem ao que é possível realizar”, conclui.
Capital pode voltar a ter 12 candidatos a prefeito
Da eleição de 1996 até agora, o número de candidatos havia caído