Nesta sexta-feira, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, pediu demissão do Ministério da Previdência Social após escândalo envolvendo supostas fraudes no INSS. Esta não é a primeira vez que o agora ex-ministro deixa a Esplanada do Ministério após denúncias de corrupção.
Em 4 de dezembro de 2011, Lupi publicou uma carta pedindo demissão "em caráter irrevogável" do Ministério do Trabalho e Emprego. Ele se tornava o sétimo ministro a deixar o cargo já no primeiro ano da então presidente Dilma Rousseff (PT). Lupi havia assumido a pasta desde 2007, ainda no governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
À época, Lupi sucumbia após uma série de denúncias envolvendo convênios irregulares do seu ministério com ONGs, de ter trabalhado como "funcionário fantasma" na Câmara de Deputados, assessor do ministério relacionado a supostos subornos a organizações que assinaram contratos com a pasta, entre outras. A gota d'água foi a recomendação da Comissão de Ética da Presidência para demiti-lo, depois que suas explicações frente ao escândalo não convenceram.
Na ocasião, o pedetista emitiu uma carta acusando a imprensa de persegui-lo. “Tendo em vista a perseguição política e pessoal da mídia que venho sofrendo há dois meses sem direito de defesa e sem provas; levando em conta a divulgação do parecer da Comissão de Ética da Presidência da República – que também me condenou sumariamente com base neste mesmo noticiário sem me dar direito de defesa — decidi pedir demissão do cargo que ocupo, em caráter irrevogável. Faço isto para que o ódio das forças mais reacionárias e conservadoras deste país contra o trabalhismo não contagie outros setores do governo”, escreveu Lupi, em 2011.
Desta vez, em 2025, Lupi sofreu desgaste com a operação Sem Desconto, que investiga irregularidades no INSS. De acordo com a Controladoria-Geral da União (CGU), seis milhões de aposentados e pensionistas foram lesados no esquema que descontava valores indevidos das folhas de pagamentos dos beneficiários. Conforme a CGU, o impacto financeiro com descontos associativos é da ordem de R$ 6,3 bilhões. A operação também provocou a queda do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto.
Nesta sexta-feira, Carlos Lupi publicou uma carta em suas redes sociais comunicando a decisão, enquanto o PDT do Rio Grande do Sul defendeu sua saída do ministério. O governo federal anunciou que convidou o ex-deputado federal pedetista Wolney Queiroz, atual secretário-executivo da Previdência, para ocupar o cargo.