Política

CCJ descarta que projeto do piso regional seja inconstitucional

Proposta de reajuste de 16% provocou impasse jurídico na Assembleia Legislativa

Deputado Heitor Schuch afirmou que presidente da AL agiu certo em encaminhar proposta
Deputado Heitor Schuch afirmou que presidente da AL agiu certo em encaminhar proposta Foto : Divulgação / ALRS / CP
O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa, deputado Heitor Schuch (PSB), disse, na manhã desta quinta-feira, que não há inconstitucionalidade no projeto de reajuste de 16% do piso regional, enviado pelo governo do Estado ao Legislativo na terça-feira em regime de urgência. “O presidente Gilmar Sossella (PDT) agiu certo ao dar o encaminhamento ao projeto dentro da Casa, porque ele não é inconstitucional”, assinalou Schuch.

Quando um projeto é encaminhado para a AL em regime de urgência o prazo para que vá a votação erm plenário é de 30 dias. Depois disso, passa a trancar a pauta. Em função desta condição, a única comissão pela qual o texto passa é a CCJ. Segundo Schuch, a exemplo da quase totalidade dos projetos remetidos à Assembleia em regime de urgência, em função do prazo, a votação em plenário deverá ocorrer também sem que exista um parecer da CCJ.

Pelo trâmite burocrático do Legislativo, nos primeiros dez dias o texto permanece no Departamento de Assessoramento Legislativo (DAL) para permitir a anexação de emendas. No 11º dia, ele é remetido para a CCJ, publicado e, na reunião seguinte da comissão (as reuniões são sempre nas terças-feiras), distribuído para relatoria. “Acredito que praticamente todos os deputados integrantes da comissão vão querer relatar o texto. Por isto, para estes casos nos quais não há acordo para a relatoria, temos uma grade com os nomes dos 12 parlamentares e a escolha é feita obedecendo-se a uma sequência. Precisamos ver de quem é a vez”, informou Schuch.

Também na manhã desta quinta, Sossella recebeu representantes de entidades sindicais de trabalhadores, para tratar da questão do projeto. Após o encontro, o presidente convocou uma reunião de líderes. O superintendente-geral da Casa, Artur Souto, informou, contudo, que a reunião não tem como foco a discussão do projeto do mínimo regional.

A polêmica

A polêmica a respeito de uma possível inconstitucionalidade do projeto foi levantada na quarta-feira, após o procurador-geral da Assembleia, Fernando Ferreira, invocar a lei federal que criou o salário mínimo regional (103/2000) para questionar a legalidade do projeto. Na avaliação de Ferreira, o texto não poderia ter sido enviado neste mês de novembro porque a lei que autorizou os estados e o Distrito Federal a instituírem pisos regionais veda a ação no segundo semestre de anos de eleições para governadores e deputados estaduais ou distritais. A Casa Civil rebateu o questionamento argumentando que a proibição serve para a criação dos mínimos regionais e não para o estabelecimento de seus reajustes. A política de reajustes não consta na lei e é diferenciada conforme o Estado.

Desde que o projeto foi enviado, há, entre parte dos deputados peemedebistas e de outros partidos que apoiam o governador eleito, José Ivo Sartori (PMDB), a avaliação de que o governo atual teve por objetivo gerar desgaste político para a próxima administração e causar conflito na base do futuro governador. Já entre parte da atual bancada governista e em meio a parlamentares que apoiam por convicção o reajuste previsto no projeto, a avaliação é de que o questionamento da legalidade do texto traduziu um movimento indireto para tentar derrubar o projeto antes que ele fosse a votação e evidenciasse as diferenças existentes dentro da base de Sartori.