A primeira consequência no RS foi que, com a queda de Dilma, o PSB gaúcho aumentou suas expectativas em relação à candidatura nacional do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). A sigla trabalha para garantir palanque para Campos em solo gaúcho e mira no PDT e no PP para compor aliança no Estado. O PDT, no entanto, tem reiterado sua intenção de permanecer com Dilma. E o PP, que terá como candidata ao governo a senadora Ana Amélia Lemos não esconde sua preferência pela candidatura do senador mineiro Aécio Neves (PSDB) à Presidência.
Os comunistas informaram aos petistas gaúchos, por sua vez, que pretendem permanecer na atual coligação de apoio ao governador Tarso Genro (PT). Mas, além disso, parte deles avalia que uma aliança na proporcional pode beneficiar mais candidatos entre siglas aliadas do que em sua própria. “Por enquanto, o que recebemos como resposta foi que o PSB poderá não estar conosco caso se mantenha o Eduardo Campos. Que o PDT discute candidatura própria e que PTB e PC do B pretendem se manter na aliança”, resume o presidente do PT gaúcho, Raul Pont.
Na oposição a situação é distinta. Com determinação em apresentar candidaturas próprias, PMDB e PP buscam por aliados. O PP faz articulações com o PSB, mas também com o PSDB, que admite a possibilidade de não ter candidato próprio ao governo.
“Já conversamos com o Dem e com o PDT. A conversa com o PP foi adiada por questões de agenda, mas há esse espaço de diálogo. Não temos dificuldade de aliança ou de apoiar alguém, mas só estaremos com quem, aqui, garanta palanque para nossa candidatura nacional”, assinala o presidente estadual tucano, deputado Adilson Troca.
Apoio a Dilma divide PMDB gaúcho
Entre todas as grandes siglas que pretendem apresentar candidato próprio ao governo do Estado, é no PMDB que o tema coligação mais tem gerado articulações. O partido tem convicção na candidatura própria e uma série de nomes: os dois mais cotados ainda são o ex-prefeito de Caxias do Sul, José Ivo Sartori, o ex-governador Germano Rigotto, além do deputado Alexandre Postal, se mostra firme em sua disposição de concorrer caso haja espaço para tanto. Mas as possibilidades de aliança preocupam.
Os peemedebistas não querem correr o risco da neutralidade ativa que enterrou a candidatura de José Fogaça em 2010 e estão divididos em relação ao apoio à chapa da presidente Dilma Rousseff (PT). Mesmo que tenham o vice (Michel Temer) e devido justamente a este cargo, ficaram com restrições na busca por uma coligação regional, já que não podem dar palanque no Estado a uma candidatura de oposição ao governo federal.
“Agora está começando um novo momento, tem muita gente querendo sair do governo Dilma, o que há dois meses era impensável. Mas o PMDB, a bancada federal gaúcha, por exemplo, é dividida quanto a isso e nós, além de querermos palanque para nosso candidato à Presidência, não desejamos fazer algo que confunda o eleitor”, informa o presidente estadual do PSDB, deputado Adilson Troca.
“A questão nacional é um impedimento de composições aqui, o que nos causa retração em relação a alguns partidos, mas ainda estamos analisando o pós-manifestações. Teremos uma candidatura competitiva, com bom tempo de TV, e a eleição ocorre em dois turnos. Não podemos esquecer que, na última, o Tarso tinha como aliados o PSB e o PC do B e depois é que ampliou a base”, responde o secretário-geral do PMDB gaúcho, João Alberto Machado.