Uma onda de manifestações em todo o Brasil pediu neste domingo o impeachment da presidente Dilma Rousseff, em meio a um clima de forte descontentamento social pela recessão econômica e as denúncias de corrupção na Petrobras envolvendo a elite política e empresarial do país. Conforme estimativas, centenas de milhares de brasileiros foram às ruas para manifestar sua revolta em mais de 400 cidades, sob uma grande operação policial, durante um dia de protestos pela primeira vez apoiados explicitamente por partidos da oposição. Em Porto Alegre, atos no Parcão e na Redenção se posicionaram contra e a favor do governo, respectivamente.
Em São Paulo os manifestantes começaram a se reunir cedo para a passeata no centro financeiro da cidade. Imagens aéreas mostravam neste domingo uma maré de gente vestindo verde e amarelo, uma cena que se repetiu na capital federal - com participação oficial de cem mil pessoas - e no Rio de Janeiro, que reuniu centenas de milhares de pessoas em Copacabana. No Rio, sede dos Jogos Olímpicos em agosto, a polícia não faz estimativas das passeatas e os organizadores estimam que entre 700 mil e um milhão de pessoas tenham participado da marcha pacífica em Copacabana.
Grandes centros urbanos, como Belo Horizonte, e inclusive redutos tradicionais do PT, como os estados da Bahia e de Pernambuco, no nordeste, também tiveram grandes convocações. A possibilidade de haver confrontos entre os manifestantes pró-impeachment e militantes do PT levou a presidente Dilma a fazer durante a semana um apelo para que se evite a violência.
Em meio a menções alusivas ao "fim do ciclo" após mais de 13 anos de governo do PT, os manifestantes se queixavam da crise da economia, que recuou 3,8% em 2015 e continuaria caindo este ano caminhando para a pior recessão em um século, e as escandalosas descobertas das investigações sobre o esquema de corrupção na Petrobras, de onde foram desviados recursos bilionários, destinados a partidos que integram a base do governo.
Em São Bernardo do Campo, no interior de São Paulo, cerca de 300 pessoas também se manifestaram diante do apartamento de Lula, em apoio ao ex-presidente, que retribuiu à saudação, saiu, tirou fotos com simpatizantes, e voltou para casa, segundo um fotógrafo da AFP. Um avião de propaganda que sobrevoou as praias do Rio exibindo uma faixa com a inscrição "Não vai ter golpe" foi vaiado pela multidão. Pouco depois, uma lancha navegou em frente à praia com uma bandeira que dizia "Fora Dilma".
Em Brasília, manifestantes contrários ao governo levaram o Pixuleco, o gigantesco boneco inflável representando o ex-presidente Lula vestido de presidiário. A multidão que ocupou a esplanada central que leva ao Congresso saudava o juiz federal Sérgio Moro, cujas sentenças resultaram na prisão de vários empresários e políticos da elite do país.
Centenas de milhares protestam em todo o Brasil
Mais de 400 cidades tiveram atos contra o governo e a corrupção