No entanto, quando já haviam se passado mais quase três horas de caminhada, o grupo entrou em confronto com a Brigada Militar, nas imediações do Hospital de Clínicas. Na região, os manifestantes se dispersaram em pelo menos dois grandes grupos, um que foi em direção ao bairro Rio Branco e outro ao Santana. A situação só foi se normalizar na região após as 22h. Pelo menos três pessoas foram detidas pela Brigada Militar – dois por pichação e um por dano ao patrimônio público.
O protesto foi a segunda manifestação contra o governo de Michel Temer em dois dias nas ruas de Porto Alegre. Na pauta de reivindicações, porém, combate ao machismo, à misoginia e gritos pedindo o fim da Brigada Militar também marcaram a caminhada.
Pautas feministas também no protesto pic.twitter.com/fa9xI65WYM — Correio do Povo (@agora_CP) 1 de setembro de 2016
Antes do início da confusão, o grupo fez questão de fazer silêncio quando passou ao lado de hospitais, como a Santa Casa e a Beneficência Portuguesa, evitando perturbar os pacientes. No túnel da Conceição, após passarem pelo Centro, aproveitaram o eco para amplificar os gritos de "Fora Temer", denúncias contra a "misoginia" do governo definido com a saída de Dilma e outras manifestações.
Na avenida Independência muitas lixeiras começaram a ser viradas, pichadas e colocadas no meio da rua – situação que se tornou corriqueira a partir de então. Além disso, agências bancárias tiveram os vidros quebrados e lixo atirado para a parte interna nas proximidades da rua Mostardeiro, na 24 de Outubro, na Goethe e na Protásio Alves. Apenas um banco no caminho foi poupado, pois um morador de rua estava dormindo na frente.
No caminho, o grupo anti-Temer passou no cruzamento entre a Goethe e a Mostardeiro, tradicional reduto de manifestações pró-impeachment de Dilma ao longo do ano.
Depois de passar em frente ao Parcão, o grupo seguiu pela avenida Goethe para retornar ao Centro, cruzando a Osvaldo Aranha. Na altura da Ramiro Barcelos, contudo, a Brigada Militar entrou em ação. Jogou bombas de efeito moral sobre o grupo e tentou forçar a dispersão.
Após tentar se reagrupar, a maior parte dos participantes acabou abandonando a caminhada nas proximidades da Protásio Alves. Um contingente menor seguiu até a Jerônimo de Ornelas, ambos dispersando a seguir.
Depois de lançar bombas de
gás lacrimogêneo, tropa de choque tenta dispersar manifestantes @RdGuaibaOficial pic.twitter.com/JGK0sjtC0Q — Camila Diesel (@camiladiesel) 2 de setembro de 2016