Política

Cerca de 50% dos funcionários da TVE aderem a paralisação

Presidência da Fundação Cultural Piratini evita entrevistas e garante que adesão é mínima

Presidência da Fundação Cultural Piratini evita entrevistas e garante que adesão é mínima
Presidência da Fundação Cultural Piratini evita entrevistas e garante que adesão é mínima Foto : Ricardo Giusti / CP
Trabalhadores da Fundação Cultural Piratini mantêm paralisação desde a manhã desta segunda-feira em protesto contra o projeto do Executivo que permite a participação de Organizações Sociais para gerir determinados serviços, hoje a cargo do poder público. Os manifestantes dizem que metade dos servidores da TVE e FM Cultura aderiu ao movimento. O pedido é para que o governador José Ivo Sartori retire da Assembleia Legislativa o PL 44/2016, que trata do tema.

Em função da paralisação, a programação já foi modificada durante o dia. O mesmo deve ocorrer à noite. Na redação, somente um servidor concursado e os jornalistas com FG (função gratificada), além de CC’s (cargos de confiança) trabalharam. O telejornal foi ao ar somente com notas e matérias antigas, conforme os organizadores do movimento. Uma decisão do Ministério Público proíbe funcionários em Cargos em Comissão e detentores de Funções Gratificadas de exercer, por exemplo, funções técnicas ou de repórteres.

Um dos manifestantes, Alexandre Leboute, entende que a proposta representa um risco ao modificar o status público de todos os órgãos, o que necessariamente muda, também, o enfoque mais comunitário e sem compromissos com anunciantes em relação aos programas veiculados pela TVE. “Esse tipo de programação seria completamente modificado e ficaria vinculado a interesses particulares”, disse.

Outra leitura é a falta de critérios para destinar a entrega de serviços para as Organizações Sociais, já que os manifestantes dizem que os contratos ficarão a cargo de secretários do Palácio Piratini. Os manifestantes denunciaram que existem grupos com influência no governo que já estão criando Organizações Sociais para atender a essa proposta.

A presidência da Fundação Cultural Piratini evitou conceder entrevista e se manifestou sobre a paralisação através de nota. Conforme a presidente Isara Marques, “a programação ao vivo da TVE e da FM Cultura transcorre dentro da normalidade, prova de que a adesão à greve foi mínima”.

Os trabalhadores paralisados, em conjunto com a Frente Parlamentar em Defesa dos Serviços Públicos, participaram de audiência pública na Assembleia Legislativa nesta segunda-feira. O PL 44 também é alvo de críticas dos professores estaduais e um dos motivos da atual greve do magistério e ocupação das escolas por estudantes.