O ex-ativista italiano Cesare Battisti revelou nesta terça-feira que está otimista quanto à decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre sua eventual permanência no Brasil, embora o STF (Supremo Tribunal Federal) tenha aprovado a extradição na semana passada.
O italiano está preso na penitenciária da Papuda, em Brasília, e recebeu em janeiro o refúgio político no país, concedido pelo ministro da Justiça, Tarso Genro.
Ele suspendeu ontem uma greve de fome que já levava dez dias e disse também que tem acompanhado as discussões sobre os possíveis desfechos para seu caso, incluindo os rumores, veiculados por alguns meios de comunicação, de que o presidente estaria inclinado a mantê-lo no Brasil.
Perguntado sobre a decisão de suspender a greve de fome, que iniciara no dia 13, Battisti recordou os pedidos feitos por Lula para que desistisse do protesto. "Quando escutei o presidente Lula na TV, duas vezes, interpretei isso como uma mensagem boa e senti vontade de viver e até de trabalhar [...]. Estou começando a escrever outra vez e quero terminar o meu livro", declarou.
O ex-ativista, condenado à prisão perpétua na Itália por quatro homicídios ocorridos no fim da década de 1970, disse estar ciente de que uma decisão definitiva sobre seu futuro deve demorar a sair.
Após recomendar a extradição, na quarta-feira da semana passada, o STF optou por delegar ao presidente da República a palavra final. Lula poderá ou não seguir o entendimento dos magistrados, mas disse que só manifestará sua posição após receber o acórdão (parecer formal) do STF, o que pode levar meses.
Battisti disse ainda acreditar na hipótese de que o governo italiano respeitaria uma possível negativa do Brasil ao pedido de extradição. "Acho que sim, acho que [o governo italiano] aceitará a decisão. Penso que [o premier Silvio] Berlusconi não tem interesse nessa história, mas os ministros fascistas têm", argumentou o italiano.
As informações são do R7
Cesare Battisti diz confiar que ficará no Brasil
Ex-ativista aguarda decisão de Lula após o STF autorizar sua extradição à Itália