Política

Chefe da Polícia Civil do RJ pede demissão

Crise financeira do estado seria um dos motivos para Fernando Veloso ter saído

Crise financeira do estado seria um dos motivos os quais, tanto Fernando Veloso quanto Beltrame teriam pedido demissão
Crise financeira do estado seria um dos motivos os quais, tanto Fernando Veloso quanto Beltrame teriam pedido demissão Foto : Tomaz Silva / Agência Brasil / CP
O chefe da Polícia Civil do Rio, Fernando Veloso, pediu demissão do cargo na quarta-feira. Na segunda-feira, o secretário de Segurança Pública fluminense, José Mariano Beltrame, já havia anunciado a saída da função que ocupou por uma década.

As renúncias no alto escalão da segurança pública do Rio revelam a gravidade dos efeitos da crise financeira do Estado na área. Tanto Beltrame quanto Veloso fizeram duras críticas à situação enfrentada pela corporação, que foi severamente atingida pelo contingenciamento de recursos.

Nos bastidores, circula a informação de que a saída de Beltrame teria sido desencadeada pelos reflexos do colapso financeiro do Rio no cotidiano das polícias Civil e Militar. Após anunciar sua demissão, em entrevista à Rede Globo, Beltrame disse ter a informação de que o salário de dezembro e o 13º dos policiais não serão pagos, causando mal-estar no governo.

Já Veloso mencionou, como uma realidade para a Polícia Civil, o quadro reduzido de policiais, atrasos de salários e restrições ao uso de combustível pelas viaturas. De acordo com ele, a polícia não tem conseguido investigar como deveria. "Não há dúvida de que isso vem causando impacto no serviço que a polícia tem de desenvolver", disse Veloso, em entrevista ao Bom Dia Rio.

Apesar das declarações enfáticas, nem Beltrame nem Veloso admitiram ter deixado seus cargos em decorrência dos problemas financeiros do Estado. Por enquanto, não há informações oficiais sobre mudanças no comando da Polícia Militar do Rio.

Com a saída do secretário de Segurança Pública após uma década de gestão, Veloso, que ainda não tem substituto, considera que a "missão está cumprida". Ele fez ainda um desabafo e um alerta. "Enquanto não decidirmos investir de fato em investigação, vamos perseguir uma utopia. Não podemos achar que botar polícia na rua resolve todos os nossos problemas", afirmou.

Segundo Veloso, nem mesmo o efetivo redobrado de mais de 60 mil homens das Forças Armadas nos Jogos Olímpicos evitou um aumento da violência. "Custou uma fortuna aos cofres do Estado e os índices de criminalidade aumentaram." Veloso assumiu a chefia de Polícia Civil em janeiro de 2014, quando a então delegada Marta Rocha deixou o cargo para concorrer nas eleições estaduais.

Outros efeitos

Além da Segurança Pública, a crise financeira do Estado afeta outras áreas. No início do mês, o governador em exercício, Francisco Dornelles, suspendeu por 30 dias novos empenhos para o pagamento de despesas com fornecedores e prestadores de serviços. Além disso, os salários dos servidores têm atrasado mensalmente desde o fim do ano passado, em descumprimento à determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para efetuar os pagamentos até o terceiro dia útil do mês. Em vez disso, os pagamentos têm sido feitos até o décimo dia útil.

"O que o governo do Estado faz é uma tortura com o servidor e a sua família. Fere a dignidade da pessoa humana", declarou o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio, Jorge Darze. Na sexta, o Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) determinou um novo arresto nas contas do Estado para garantir o cumprimento da decisão do STF.