O pedetista Ciro Gomes voltou a fazer neste sábado duras acusações ao vice-presidente da República, Michel Temer, ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e ao partido de ambos, o PMDB, ao dizer que a “banda quadrilha do PMDB” responde pela articulação do processo de impeachment. “Era o senhor Eduardo Cunha quem carregava a mala do Michel Temer nas campanhas de São Paulo. Investiguem quantos projetos de medida provisória o senhor Michel Temer distribuiu para Eduardo Cunha quando presidia a Câmara. MPs nas quais Cunha introduzia emendas ilegais. Quando um vice sai da tarefa para a qual foi recrutado e vira um golpista vil, as coisas precisam ser desnudadas.” As declarações foram feitas durante a convenção estadual do PDT, em Porto Alegre.
Ciro também fez uma defesa contundente da presidente Dilma Rousseff (PT), comparando-a com os dois peemedebistas. “Vamos ter clareza, porque isso é muito importante: a presidente não é corrupta. Se figuras conhecidas como o Michel Temer e o Eduardo Cunha derrubarem uma pessoa decente, aí é o fundo do poço.” Ao explicitar os motivos que levam o PDT a se posicionar contra o impeachment, o ex-ministro avaliou que “um golpe neste instante introduz uma instabilidade para 20 anos e a violência na política e garantiu que caso Temer "escalar o golpe por este caminho, vou apresentar pedido de impeachment contra ele."
Ciro admitiu, porém, que Dilma, neste momento, não conta com nenhuma das alternativas conhecidas para amealhar maiorias: o apoio popular que diminuiria o poder de Cunha sobre o Congresso ou a mediação feita por meio de governadores. E confessou sua "agonia" em relação ao tempo disponível para que o governo se recupere. “A favor, ela tem a decência pessoal. Além disso, a Dilma não tem essa circunstância da força do povo, mas isso pode mudar. O que ela precisa fazer é se libertar da chantagem, se reconciliar e passar o sinal de que o compromisso dela é o que é. A presidenta aceitou ser humilhada publicamente. Esse ciclo se encerrou. Eu advogo que ela venha para a luta e demarque o campo.”
Além de Ciro, participaram da convenção gaúcha o presidente nacional do partido, Carlos Lupi, o ministro das Comunicações, André Figueiredo, e o ex-ministro do Trabalho, Manoel Dias. A presença das lideranças nacionais teve o objetivo de alinhar integralmente o PDT gaúcho no combate ao impeachment. No encontro o deputado Pompeo de Mattos foi reconduzido à presidência partidária.
Ciro Gomes defende Dilma e faz duras críticas ao PMDB
Ex-ministro explicitou motivos que levam o PDT a se posicionar contra o impeachment em Porto Alegre