Política

Ciro Gomes diz que diferença entre ele e Dilma é como "água e vinho"

Pré-candidato fez questão de criticar medidas como as isenções praticadas nos governos petistas

Ciro Gomes, procurou nesta quarta se distanciar da política econômica do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Ciro Gomes, procurou nesta quarta se distanciar da política econômica do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva Foto : Ciro Gomes / Facebook / Divulgação / CP
O pré-candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, procurou nesta quarta se distanciar da política econômica do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem foi ministro, e das gestões de Dilma Rousseff. Segundo o pedetista, que fez questão de criticar medidas como as isenções praticadas nos governos petistas, ele e Dilma são como "água e vinho" na questão econômica.

Ciro atribuiu a comparação que tem sido feita por alguns agentes políticos entre ele e a ex-presidente à luta política no Brasil e o clima de confronto entre "coxinhas e mortadelas". "Começou a luta, então a ideia é satanizar, porque é recente a frustração de todos com o que aconteceu no governo Dilma. E qualquer um que não seja coxinha, tem que ser mortadela. E eu vou resistir: não sou coxinha nem mortadela", afirmou, em evento com empresários promovido pela Amcham na capital paulista.

Ciro foi questionado sobre o papel do economista e professor da FGV Nelson Marconi, apontado como integrante de sua equipe de campanha e que afirmou ser um "desenvolvimentista", ideal ligado ao governo Dilma. "Marconi não é coordenador do meu programa econômico. É uma pessoa brilhante que vem coordenar meu plano de governo. Quem faz a minha cabeça em matéria econômica é o Mauro Benevides Filho (secretário da Fazenda do Ceará) e o (ex-ministro) Mangabeira Unger", afirmou, apontando para os dois, que estavam presentes na plateia.

Em sua apresentação, Ciro discorreu longamente sobre a saúde financeira do Ceará, que governou entre 1991 e 1994 e está hoje entre os Estados mais bem resolvidos na questão fiscal, na sua avaliação. Mais tarde, a jornalistas, Ciro também afirmou que não pretende intervir no câmbio, mas criar condições para que ele reflita melhor as condições do balanço de pagamentos.

"O câmbio é uma variável orgânica do balanço, não tem muita margem para mexer nisso e nem deve", afirmou acrescentando que a política de juros traz muitos dólares para o Brasil e valoriza o real de um jeito artificial. "Isso deteriora os termos de troca e estimula um padrão de consumo que se revela insustentável, tanto que o Brasil vem quebrando sucessivamente".