Política

Citado por executivo, Temer critica "ilegítima divulgação" de delação da Odebrecht

Em carta para Janot, presidente pede "celeridade" na conclusão das investigações em andamento

Em carta para Janot, o presidente pede "celeridade" na conclusão das investigações em andamento
Em carta para Janot, o presidente pede "celeridade" na conclusão das investigações em andamento Foto : Evaristo Sa / AFP / CP
Citado no acordo de delação do ex-executivo da Odebrecht Cláudio Melo Filho, o presidente Michel Temer encaminhou nesta segunda-feira ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot uma carta em que alega que o "fracionamento da ilegítima divulgação das supostas colaborações premiadas" vem provocando "interferência" na condução das políticas públicas, acirrando as crises econômica e política e gerando clima de "desconfiança e incerteza" por obstruir ações do governo.

Temer pede ainda "celeridade" na conclusão das investigações em andamento e diz que as delações devem ser divulgadas "o quanto antes" e "por completo". No mesmo dia, o PMDB, que também teve a cúpula citada na delação, reagiu por meio de nota em que "condena" a divulgação. O movimento faz parte da estratégia de Temer e dos aliados de criticar a divulgação da delação, como mostrou nesta segunda reportagem do jornal O Estado de S. Paulo.

A carta foi idealizada por Temer e começou a ser pensada na noite de domingo, na reunião convocada pelo presidente no Palácio do Jaburu, com ministros e aliados. Além de pedir pressa na finalização das investigações e total divulgação dos fatos, para que as informações não sejam publicadas em conta-gotas pela imprensa, o que paralisaria o governo, no documento enviado à PGR Temer sugere que os depoimentos possam ser anulados, como aconteceu com o executivo Léo Pinheiro da OAS.

Léo Pinheiro teve o acordo suspenso antes da assinatura da delação, por causa de vazamentos. Sem explicitar o caso, Temer diz na carta que, "em situação análoga Vossa Excelência suspendeu tratativas de colaboração premiada em prol da higidez do procedimento legal".

A situação do vazamento relacionado à Odebrecht é diferente da enfrentada pela OAS em agosto. No caso de Léo Pinheiro, a PGR suspendeu as negociações para assinar o acordo de delação premiada antes que ele fosse fechado. Não existia, no momento da suspensão das tratativas, um acordo firmado com a pena a ser cumprida pelo empreiteiro, por exemplo.

Já a delação dos executivos da Odebrecht está formalizada, restando a colheita dos depoimentos para encaminhar o material para homologação pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal.