Política

Com dois mandados expedidos de prisão, vereador é solto em Alvorada

Vânio Presa é suspeito de articular repasses ilícitos causou impedimento da diplomação do prefeito eleito, do PMDB

A defesa do vereador de Alvorada Vânio Presa, do PMDB, teve deferido um habeas corpus e obteve a soltura do cliente, no fim da noite dessa sexta-feira. Presa havia sido detido durante a tarde pela suspeita de captar e repassar recursos ilícitos provenientes de crimes de lavagem de dinheiro, agiotagem, falsidade documental, crimes licitatórios e organização criminosa. Ele era considerado foragido desde 8 de novembro.

Investigado pela Operação Alderman, do Ministério Público, Presa compareceu, nessa sexta-feira, ao Fórum da Comarca a fim de apresentar um habeas corpus para evitar a prisão sem saber que tinha, contra ele, uma segunda preventiva decretada, pela Justiça Eleitoral. Até ser liberado, ele permaneceu na Delegacia de Pronto Atendimento do município. O parlamentar é suspeito de articular repasses ilícitos que motivaram, também, o impedimento da diplomação do prefeito eleito de Alvorada, José Appolo, e do vice, Valter Slayfer, ambos do PMDB.

Com a posse em suspenso, Appolo garantiu, nessa sexta, “confiar no trabalho da Justiça” apesar de se dizer “injustiçado” com a liminar que barra a diplomação. De acordo com o peemedebista, os advogados de defesa dele e do vice entraram com recurso para derrubar a liminar e assegurar a posse, em janeiro. A expectativa é de o pedido seja analisado na segunda-feira. Appolo garantiu que a campanha foi “pobre e sem recursos” e que todos os gastos foram oriundos do salário que ganha “como funcionário público”. O prefeito eleito ainda ressaltou ter certeza de que houve “má informação, e não má-fé”.

Conforme a promotora eleitoral Rochelle Jelinek, o contexto político revelado nas investigações do Ministério Público “demonstra o abuso do poder econômico e político e tráfico de influência”. Na decisão que barrou a diplomação, o juiz eleitoral Roberto Coutinho se embasou em escutas telefônicas entre Presa e um homem identificado apenas como Márcio onde ambos discutem doações de campanha. De acordo com o juiz, a conversa sugere que a pizzaria de Presa foi usada para lavagem de dinheiro a fim de criar caixa 2 de campanha.

A diplomação em Alvorada ocorreu fim da tarde dessa sexta-feira, restrita aos vereadores eleitos para a gestão que termina em 2020.