Política

Começa fase final do julgamento de Dilma no Congresso

Procurador e auditor do TCU serão as primeiras testemunhas a depor

Nesta quarta foram abertas as inscrições para os senadores que vão  inquirir testemunhas na sessão de quinta
Nesta quarta foram abertas as inscrições para os senadores que vão inquirir testemunhas na sessão de quinta Foto : Andressa Anholete / AFP / CP
O julgamento do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff começa às 9h desta quinta-feira com o depoimento de testemunhas. Serão ouvidas inicialmente as duas testemunhas arroladas pela acusação: o procurador do Ministério Público no Tribunal de Contas da União (TCU),  Júlio Marcelo de Oliveira, e o auditor do TCU Antônio Carlos Costa D'Ávila.

Em seguida, a previsão é de que sejam ouvidas duas das seis testemunhas arroladas pela defesa. Os advogados de Dilma Rousseff convocaram o ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, a ex-secretária de Orçamento Federal Esther Dweck, o ex-secretário executivo do Ministério da Educação Luiz Cláudio Costa, o professor de direito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) Ricardo Lodi Ribeiro e o professor de direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Geraldo Prado.

Nesta sexta-feira deverão ser ouvidas as quatro últimas testemunhas. Se não houver tempo de ouvir as quatro primeiras até a noite de hoje, os depoimentos de uma parte delas podem ser transferidos para esta sexta, fazendo com que a primeira fase do julgamento seja concluída somente no fim de semana.

Os senadores poderão fazer perguntas à vontade, mas os líderes da base aliada do presidente interino Michel Temer já orientaram os demais parlamentares a evitar perguntas repetidas e a dar preferência para as lideranças partidárias, de modo a tentar agilizar os depoimentos.

Na segunda-feira,  às 9h, começará o depoimento da presidente afastada Dilma Rousseff. Ela poderá falar livremente por 30 minutos e depois ficará à disposição para responder às perguntas dos senadores. Após o depoimento de Dilma, começará o debate entre a defesa e a acusação.  Os advogados da acusação começarão falando por uma hora e 30 minutos. Depois será a vez de a defesa falar por igual período. Pode haver ainda réplica e tréplica de uma hora cada.

Na terça-feira, os senadores devem começar a discutir se Dilma praticou crime de responsabilidade. Cada um dos inscritos terá 10 minutos para falar, sem direito a prorrogação. Ao final, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, questionará os parlamentares se eles consideram que a presidente afastada cometeu crime de responsabilidade por editar decretos de suplementação orçamentária e por tomar empréstimo de instituição comandada pela União.

Dois senadores favoráveis e dois contrários farão encaminhamentos por cinco minutos cada e o painel será aberto para a votação. A votação será aberta e nominal. A expectativa é de que o resultado seja divulgado na noite de terça, mas o julgamento pode se prolongar até quarta -feira.

A cronologia da crise

• No final de março deste ano, a crise ganhou força quando a direção do PMDB, o maior partido do país e aliado no poder, rompeu com o governo. Uma reação em cadeia na base e deixou a presidente entregue à própria sorte.

• Em recessão desde o segundo trimestre de 2015, a economia combina alta da inflação e do desemprego com uma deterioração das contas públicas. A crise impactou a popularidade de Dilma.

• Desde março de 2015, cinco meses depois de sua reeleição, opositores de Dilma passaram a convocar manifestações para pedir sua saída do cargo e protestar contra a corrupção.

• Em 4 de março deste ano, o ex-presidente Lula, padrinho político de Dilma, foi conduzido de forma coercitiva para ser interrogado pela Polícia Federal por suposto vínculo com a corrupção na Petrobras. Na véspera, havia sido divulgado o acordo de delação premiada do agora ex-senador do PT, Delcídio do Amaral, que relacionou os casos de corrupção a Dilma e Lula.

• Dilma nomeou Lula chefe da Casa Civil em 16 de março. Horas depois, o juiz Sérgio Moro, que investiga o escândalo da Petrobras, liberou a gravação de uma conversa entre ela e Lula, considerada pela oposição e juristas uma prova de que a nomeação buscava livrá-lo da Justiça comum e de uma eventual ordem de prisão.

• Dilma não é objeto de acusação ou investigação judicial por corrupção. Em meados de agosto, no entanto, o Supremo autorizou a sua investigação por suposta obstrução da Justiça ao nomear Lula em seu gabinete. O julgamento de destituição de Dilma se baseia na acusação de que sistematicamente ela maquiou o déficit orçamentário, o que segundo seus detratores agravou a crise econômica do país.