Política

Começa hoje a busca por votos

Eleições 2012 para prefeito e vereador mobilizam milhares de candidatos no País

A eleição municipal ganhará as ruas do Estado a partir de hoje. Os cerca de 21 mil candidatos a vereador e quase 1,2 mil candidatos a prefeito no Rio Grande do Sul iniciam as suas campanhas eleitorais visando ao pleito de outubro deste ano. De acordo com a legislação, os partidos e as suas coligações podem distribuir santinhos e panfletos, realizar caminhadas, comícios e atos públicos, além de fazer funcionar, das 8h às 22h, alto-falantes ou amplificadores de som nas suas sedes ou em veículos. Propagandas na Internet também estão liberadas.

Na Capital, a julgar pela disposição dos três principais candidatos à Prefeitura de Porto Alegre, o início oficial da campanha deverá ser mais propositivo do que em anos anteriores. José Fortunati (PDT), que concorre à reeleição, Manuela D''Ávila (PC do B) e Adão Villaverde (PT) afirmam que farão uma campanha com poucas críticas, focada mais nas soluções para os problemas da cidade do que nos erros dos concorrentes.

Villaverde diz que terá uma postura de oferecer propostas para todas as críticas que fizer. "Vamos fazer uma campanha de conteúdo, sem acusar A ou B, sem fulanizar. Mas não vamos renegar a vocação crítica. Para todas as críticas que fizermos vamos apresentar soluções", disse.

A intenção da Manuela é manter o alto nível do debate, ao invés do apontamento de possíveis falhas da atual gestão. "A nossa campanha terá o nível elevado, porque acreditamos que a população merece isso. Mostraremos soluções para problemas do cotidiano, inovações para aqueles que persistem e a projeção do futuro que desejamos", revelou.

Possível alvo dos adversários, Fortunati não se assusta com a possibilidade de ser o centro das críticas dos adversários. "Espero ter a relação mais respeitosa possível. Vai ser a mesma relação que eu tive com os meus adversários na Câmara", disse. Sobre a disputa, o pedetista afirmou que fará uma campanha positiva em cima de propostas e realizações da atual gestão.

Porto Alegre terá pelo menos sete candidatos na disputa pela prefeitura. Wambert Di Lorenzo (PSDB), Jocelin Azambuja (PSL), Roberto Robaina (PSol) e Érico Correa (PSTU) completam o quadro de postulantes ao Paço Municipal.


A disputa na região Metropolitana

O cenário da disputa na região Metropolitana não segue a tendência nacional das principais siglas de lançar candidato próprio nas grande cidades do país. O PT é a única legenda a ter candidatos nos oito maiores municípios, em número de eleitores, na Grande Porto Alegre. O PP, por outro lado, o maior partido do RS em número de prefeitos, não tem - desta vez - nenhum candidato na cabeça de chapa nestes municípios.

O PDT confirma a tendência das grandes siglas no Estado, que optaram por concentrar forças em objetivos específicos. O partido atuará com as forças para reeleger o candidato José Fortunati na Capital, em detrimento das candidaturas da região Metropolitana, segundo confirmação do presidente Romildo Bolzan Júnior.

O caso mais exótico é o da cidade de Canoas, onde praticamente todas as siglas se uniram em torno do candidato petista. O prefeito Jairo Jorge (PT) tem uma coligação de 17 partidos, o que isolou a oposição na cidade. Ele terá, na busca pela reeleição, a progressista Beth Colombo como vice. Para o presidente estadual do PT, Raul Pont, uma aliança com partidos de diferentes alas políticas não significa perda de ideologia. "Trabalhamos com um leque de partidos que apoiam o governo Tarso Genro ou o governo Dilma Rousseff", explicou.

Em São Leopoldo, o candidato do PT, Ronaldo Zulke, tentará manter o partido na administração após oito anos da gestão de Ary Vanazzi (PT), que está envolvido em acusações de irregularidades. No município de Alvorada, o candidato do PTB, Edson Borba, deverá sofrer forte pressão da oposição, após as denúncias de que o atual prefeito, João Carlos Brum (PTB), tivesse participação em esquema investigado na Operação Cartola.



Um exército de candidatos no País


As eleições nos 5.563 municípios brasileiros serão disputadas por um exército de quase 16 mil candidatos a prefeito. Outro batalhão de candidatos se lançará na luta por um cargo de vereador nas câmaras municipais brasileiras. São cerca de 350 mil candidatos em todo o Brasil.

Para os candidatos à reeleição às prefeituras, a partir de amanhã, é vedada a realização de inaugurações e a contratação de shows artísticos pagos com recursos públicos. Além disso, é proibido aos agentes públicos nomear, contratar ou demitir, sem justa causa, servidores públicos.

A votação para escolha de prefeitos e vereadores será realizada no dia 7 de outubro. Para os municípios com mais de 200 mil eleitores - no caso do Rio Grande do Sul são quatro municípios, Porto Alegre, Canoas, Pelotas e Caxias do Sul -, o segundo turno acontece no dia 28 de outubro.

Serão quase 5 mil vereadores eleitos. A última eleição municipal, em 2008, teve aproximadamente 21 mil registros para estas vagas, número que deverá ser pouco maior agora do que foi em anos anteriores, já que diversas câmaras municipais aumentaram o número de cadeiras a serem disputadas, após longa disputa judicial.

Estudo da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) confirmou na semana passada o aumento de cadeiras nas câmaras do país, a partir da entrada em vigor da emenda constitucional 58, que permite aos parlamentos municipais alterarem sua composição.

No Rio Grande do Sul, 122 municípios optaram pela mudança. Serão 489 novas cadeiras nas câmaras de todo o Estado.

O que pode e o que não pode na campanha

Pode:

- Realização de caminhadas, comícios e atos públicos.
- Organização de jantares, desde que para fins arrecadatórios.
- Pintar muros, desde que privados e frutos de permissões espontâneas.
- Distribuição de cavaletes e bonecos pela cidade, desde que não atrapalhem o trânsito.
- Distribuição de santinhos e panfletos.
- Discursar com alto-falante.
- Fazer propaganda pela Internet n Contratar serviço de carros de sons, entre as 8h e 22h.

Não pode:

- Organização de showmícios eleitorais.
- Pagar por inserções em rádio e televisão.
- Veiculação de propaganda em outdoor.
- Distribuição de brindes ou qualquer material que configure compra de votos.
- Participar de inaugurações e entregas de obras públicas.
- Distribuir materiais com ataques ofensivos a adversários.
- Fixação de propaganda em bens públicos, como postes, paradas de ônibus e árvores.

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