Para ele, não é sustentável economicamente manter a ligação entre as duas capitais apenas por via aérea e pela rodovia Presidente Dutra. Figueiredo salientou que, desde o ano 2000, há estudos apontando para a viabilidade de se construir uma nova infraestrutura ferroviária entre as metrópoles. "Temos que dar uma solução", disse.
O senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) criticou os subsídios públicos previstos no projeto, que podem chegar a R$ 50 bilhões, e que poderiam ser destinados às áreas sociais. Figueiredo rebateu. Disse que estudos internos apontam que os subsídios públicos para o projeto devem chegar a R$ 8 bilhões. Ele não considera que o fato de se fazer o trem-bala poderá inviabilizar a realização de investimentos sociais pelo governo Dilma Rousseff. "Vamos tratar das duas coisas", afirmou.
“Orgulho do meu currículo”
Em resposta ao bombardeio de perguntas feitas pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR), durante sabatina na Comissão de Infraestrutura do Senado, Figueiredo disse que tem "muito orgulho" do seu currículo. Requião questionou a legitimidade de Figueiredo continuar no cargo, em razão de sua passagem por postos de destaque em entidades privadas do setor. "Tenho muito orgulho do meu currículo e o meu currículo muito me qualifica", afirmou.
Figueiredo disse que "nunca" outorgou uma concessão à América Latina Logística (ALL), empresa da qual foi dirigente na década de 90. "Não tenho nenhuma responsabilidade sobre a ALL", afirmou.
Apesar das duras críticas feitas pelo senador paranaense, o diretor-geral da ANTT preferiu não responder ponto a ponto seus questionamentos. No início da sua resposta, ele disse respeitar a opinião de Requião, mas frisou que não é o caso de debatê-las na comissão. Para ressaltar o fato de que não favoreceu a empresa em que já trabalhou, Figueiredo disse que aplicou nos três anos em que está à frente da ANTT R$ 45 milhões em multas às concessionárias. Desse total, dois terços foram para a ALL. "Quem conhece, sabe dos padrões éticos que eu tenho", afirmou.