Política

Conselhão defende mudanças no Ensino Médio, mas pede mais debate

Proposta de alteração no currículo do Ensino Médio é motivo de discórdia com professores

A Câmara Temática de Educação do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (Conselhão) aprovou, nesta quarta-feira, as propostas do governo gaúcho para mudar o currículo do Ensino Médio e o sistema de avaliação escolar, que motivaram o Cpers Sindicato a deflagrar greve por tempo indeterminado, na semana passada. O colegiado redigiu uma nota, ainda assim, recomendando que o governo amplie o debate sobre as alterações, expandindo o prazo para a análise dos planos pela sociedade civil, e garanta as condições de qualificação e preparo dos professores para a implementação das medidas.

Os conselheiros demonstraram preocupação com a greve, e ressaltaram que o governo deve se esforçar ao máximo para ampliar o diálogo com os professores e buscar o encerramento da paralisação. O secretário da Educação, José Clóvis Azevedo, que participou da reunião, explicou que o debate, iniciado em setembro, deve culminar com a Conferência Estadual de Educação, marcada para o mês que vem, em Porto Alegre.

Azevedo esclareceu que não vai haver projeto piloto e que a implantação das mudanças ocorre, a partir de 2012, nos primeiros anos do Ensino Médio. Ele explicou, também que o governo garante um plano específico de formação de professores, com seminário por adesão em janeiro e cursos de formação em fevereiro e março, com apoio de universidades. O secretário acrescentou que a Pasta discute com as universidades mudanças nos currículos nos cursos de formação de professores, para que se adaptem às alterações na rede estadual. Ele concluiu dizendo que o concurso público para professores está encaminhado, com o edital já contemplando as concepções novas de currículo.

Objetivo é diminuir evasão e reprovação, diz secretaria

"Queremos um Ensino Médio menos fragmentado. Deve haver uma melhor relação entre a ciência e sua aplicabilidade", defendeu, tanto no Ensino Médio técnico como no convencional, com incentivo à pesquisa. "Precisamos avançar na formação profissional ligada às atividades produtivas de cada região e, ao mesmo tempo, oportunizar maior número de matrículas", completou.

A meta, conforme a Secretaria, é alterar o quadro de índices altos de evasão e reprovação na rede estadual de ensino público nos últimos cinco anos. "Não basta a injeção de recursos na área. É preciso reformular o sistema curricular educacional, que está defasado e não interage com a realidade social contemporânea", finalizou.
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