Com a aprovação, Cunha terá 10 dias úteis para apresentar a defesa escrita. O prazo começa a correr depois que o deputado for notificado.
Minutos antes da votação, aliados de Cunha chegaram a procurar seus adversários no Conselho para tentar fazer um acordo e jogar para esta quarta a votação da admissibilidade do processo. O presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PSD-BA), considerou que não houve consenso sobre a proposta do deputado Paulo Azi (DEM-BA) de buscar um acordo de adiamento desde que não houvesse obstrução na sessão de amanhã.
O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) foi procurado pelos deputados Hugo Motta (PMDB-PB) e André Moura (PSC-SE) que teriam, segundo Delgado, oferecido a possibilidade de voltar atrás de todas as ações para barrar o processo na Casa em troca do adiamento. Para isso, queriam a votação do parecer prévio na quinta. Eles temiam a votação do parecer de Marcos Rogério exatamente no dia da busca e apreensão nas casas do peemedebista.
Segundo fontes, Cunha deu ordem para seus aliados retirarem todos os três requerimentos de adiamento da sessão e "irem para o pau". Em plenário, o deputado Manoel Júnior (PMDB-PB) disse que os aliados de Cunha tinham a orientação de votar com o relatório, mas devido à não concessão de vista, eles optaram por votar contra o parecer prévio.
PF faz buscas na casa de Cunha
Na manhã desta terça-feira, Cunha foi o principal alvo de mais uma fase da operação Lava Jato, da Polícia Federal. Desde as 5h5min, a casa do presidente da Câmara em Brasília foi vasculhada por agentes na ofensiva chamada de Catilinárias. A residência e outros endereços relacionados ao deputado no Rio de Janeiro também foram alvos dos policiais federais.
A ofensiva também esteve presente nas casas do deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE), suspeito de ser o interlocutor do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), nos desvios da Petrobras, e do senador e ex-ministro Edison Lobão (PMDB-MA), que é investigado na Lava Jato.
Os mandados, expedidos pelo ministro Teori Zawascki, foram cumpridos no Distrito Federal (9) e nos estados de São Paulo (15), Rio de Janeiro (14), Pará (6), Pernambuco (4), Alagoas (2), Ceará (2) e Rio Grande do Norte (1).
As buscas ocorreram na residência de investigados, em seus endereços funcionais, sedes de empresas, em escritórios de advocacia e órgãos públicos. As medidas decorrem de representações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal nas investigações que tramitam no Supremo. Elas têm como objetivo principal evitar que provas importantes sejam destruídas pelos investigados.