* Com informações da Agência Câmara
Por 11 votos a 10, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados decidiu manter a votação do processo contra o presidente Eduardo Cunha. O presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, José Carlos Araújo desempatou a votação do requerimento.
A votação foi marcada por confusão entre os parlamentares, que bateram boca em razão da chegada do deputado Paulo Azi (DEM-BA), que não estava presente no momento em que foi chamado pelo presidente José Carlos Araújo para votar.
O presidente Araújo informou que estava verificando os suplentes por blocos que estavam votando, mas que Azi teria direito a voto. Azi se manifestou contra o adiamento.
O clima continuou tenso. Manifestantes estão nos corredores, tentando entrar, gritando palavras de ordem contra o presidente da Câmara Eduardo Cunha. De acordo com José Carlos Araújo, como o plenário é pequeno, a segurança da Casa vai avaliar quantas pessoas podem entrar na sala. “Eu pedi Plenário maior e não foi atendido, porque eu previa esse tipo de acontecimento”, afirmou o presidente do Conselho.
Houve uma segunda votação em razão de outro requerimento para adiar a análise do parecer. E de novo, por 11 votos a 10, foi mantida a sessão. Como da outra vez, o presidente do conselho desempatou a votação.
Denúncia contra Eduardo Cunha
Os membros do colegiado estão discutindo a análise do parecer contra o deputado Eduardo Cunha por susposta quebra de decoro parlamentar. Cunha teria mentido na CPI da Petrobras quando disse que não tinha contas no exterior. Meses depois, a Procuradoria Geral da República divulgou fatos que comprovavam a existência das contas, bem como a movimentação finaceira de alto valor.
A sessão do conselho já sofreu várias interrupções. Nesta quarta, alguns deputados discutiam o requerimento que pedia o adiamento da votação do processo contra Eduardo Cunha por cinco dias úteis. O autor da proposição, deputado Manoel Junior (PMDB-PB), defendeu que o conselho aguarde decisão da presidência da Casa, que analisa recurso da defesa de Cunha que solicitou o afastamento do relator Fausto Pinato (PRB-SP).
Segundo a defesa de Cunha, o presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PSD-BA), ao escolher Pinato, não levou em consideração que o relator é do mesmo bloco partidário que o presidente Eduardo Cunha.
Manoel Junior afirmou que a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, de negar o mandado de segurança que pedia o afastamento de Pinato, estabelece que a questão não é constitucional e, sim, regimental, e por isso, era necessária adiar a votação para aguardar a decisão da Presidência da Câmara dos Deputados.
Como o presidente da Casa é o representado, a decisão seria do primeiro vice-presidente da Câmara, deputado Waldir Maranhão (PP-MA). Araújo informou que, se tiver que trocar o relator, ele tem o poder sobre decidir por substituir pelos outros dois sorteados. “Nada impede que o relator absorva o parecer apresentado”, acrescentou.
O deputado Zé Geraldo (PT-PA) se posicionou contrário ao requerimento. “A opinião pública brasileira a cada sessão que nos não votamos nesse processo se coloca ainda mais contra Eduardo Cunha, contra o Conselho de Ética, contra o Congresso nacional. Ninguém entende porque demoramos tantas sessões para votar. Ninguém aqui é carrasco”, defendeu o parlamentar. De acordo com Zé Geraldo, quanto mais o tempo passar, pior a imagem da câmara para os brasileiros. "Seria contra todos os requerimentos", declarou.
Conselho de Ética mantém votação do parecer contra Eduardo Cunha
Deputados ingressaram com recursos para impedir o prosseguimento da sessão