Política

Construtora gaúcha é suspeita de viabilizar pagamento de propinas na Lava Jato

Esquema envolvia a construção do prédio do Centro Administrativo da estatal em Vitória (ES)

A empresa Freitas Filho Construções Ltda, de Porto Alegre, é um dos alvos da 14ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada para investigar fraudes em contratos da Petrobras. Na manhã desta sexta-feira, a Polícia Federal determinou dois mandados de busca e apreensão, além de um de condução coercitiva, a pedido do juiz federal da 13ª Vara Federal, Sérgio Moro. O sócio-diretor da construtora, Eduardo de Oliveira Freitas Filho, não foi encontrado em casa. Porém, o empresário se apresentou para depor na superintendência da PF, na tarde desta sexta-feira. Ele veio do Rio de Janeiro onde há uma sede da empreiteira.

Segundo a Justiça Federal, existem provas de que a Freitas Filho foi utilizada para viabilizar pagamentos de propina pelo consórcio Camargo Correa, Odebrecht e Hochtief a funcionários da Petrobras. O esquema envolvia a construção do prédio do Centro Administrativo da estatal em Vitória (ES). Após três horas de depoimento, o empresário Eduardo de Oliveira Freitas não quis se pronunciar, mas o advogado negou qualquer envolvimento do cliente. “Ele prestou esclarecimentos à Polícia Federal e vai continuar contribuindo. Não estou autorizado a falar sobre relacionamentos com esse consórcio de empresas”, declarou Alexsander Linck.

O balanço da operação desta sexta-feira mostra que, dos 12 mandados de prisão, temporárias ou preventivas, 11 já foram cumpridos. O executivo da Odebrecht César Ramos Rocha é o único que ainda não foi encontrado. Ele, no entanto, ainda não é considerado foragido.

Entenda

As prisões desta sexta-feira foram feitas após delatores indicarem o recebimento de propina no exterior. Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco citaram a Odebrecht, mas o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima disse que há outras provas dos pagamentos, além das delações. Para ele, as empreiteiras Andrade Gutierrez e Norberto Odebrecht capitaneavam o esquema de cartel na Petrobras.

O delegado da Polícia Federal Igor Romário de Paula disse acreditar que os principais executivos das empresas sabiam do esquema e não combateram as práticas internamente. Bernardo Freiburghaus, que deixou o Brasil e foi morar na Suíça, sendo considerado foragido, foi apontado como o operador da Odebrecht no esquema.

A força-tarefa estimou em R$ 200 milhões o valor das propinas pagas pela Andrade Gutierrez no esquema da Petrobras. O valor da Odebrecht é ainda maior, de R$ 510 milhões. Os investigadores disseram que a denúncia do caso Petrobras deve ser concluída até o final do ano e que a força tarefa espera apenas o término dos trabalhos do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).