O pedido de habeas corpus preventivo para Luiz Inácio Lula da Silva recebido nessa quarta-feira pela Justiça Federal no Paraná foi impetrado por Mauricio Ramos Thomaz, que se apresenta como consultor. A medida busca evitar eventual ordem de prisão contra ex-presidente no âmbito Operação Lava Jato.
Em 2011, o nome de Maurício Ramos Thomaz ganhou destaque quando ele impetrado um habeas corpus preventivo para o jornalista Diogo Mainardi. Nos autos da Lava Jato oficialmente não há nenhum indicativo de investigação sobre o ex-presidente no esquema de corrupção na Petrobras. Lula já havia negado ser o autor do pedido.
O Instituto Lula informou achar "estranho" o fato de que o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) tenha divulgado a informação em suas redes sociais antes mesmo de o habeas corpus ter sido revelado pela imprensa ou o instituto ter sido consultado. Ainda de acordo com o instituto, Lula soube do habeas corpus por meio da imprensa. O senador Ronaldo Caiado disse que apenas tornou público o teor do habeas corpus. "Quem entrou com o habeas corpus não é problema meu".
Há cerca de 15 dias, um laudo pericial indicou que a Camargo Corrêa pagou R$ 3 milhões para o Instituto Lula e mais R$ 1,5 milhão para a LILS Palestras Eventos e Publicidade, de Luiz Inácio Lula da Silva, entre os anos de 2011 e 2013. Foi a primeira vez que os negócios do ex-presidente apareceram nas investigações da Operação Lava Jato, que apura um esquema de cartel e corrupção na Petrobras com prejuízo de R$ 6 bilhões já reconhecidos pela estatal.
São três pagamentos de R$ 1 milhão cada registrados como "Contribuições e Doações" e "Bônus Eleitoral" para o Instituto, aberto por Lula após ele deixar a Presidência da República, em 2011. A revelação sobre o elo da empreiteira - uma das líderes do cartel alvo da Lava Jato - com Lula consta do laudo 1047/2015, da Polícia Federal, anexado nessa terça-feira nos autos da investigação.
Na ocasião, o Instituto Lula e a Camargo Corrêa se manifestaram. O Instituto Lula informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que os valores registrados na contabilidade da Camargo Corrêa foram doados legalmente e que não existe relação entre a entidade e questões eleitorais. Já Camargo Corrêa disse que "as contribuições ao Instituto Lula referem-se a apoio institucional e ao patrocínio de palestras do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no exterior."
Consultor pediu habeas corpus preventivo para Lula
Ação recebida pela Justiça Federal no Paraná foi impetrada por Mauricio Ramos Thomaz