Política

Contratos com SBM Offshore foram cancelados após denúncias, diz Foster

Ex-presidente da estatal presta depoimento à CPI da Petrobras

Ex-presidente da Petrobras presta depoimento nesta quinta-feira à CPI
Ex-presidente da Petrobras presta depoimento nesta quinta-feira à CPI Foto : Luis Macedo / Câmara dos Deputados /CP
A ex-presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, disse que mandou cancelar todos os contratos da estatal com a empresa holandesa SBM Offshore assim que soube do pagamento de propinas a diretores pelo empresário Bruno Chabas, representante da própria SBM. “Eu disse a ele que cancelaria os contratos se ele não me dissesse quem pagou propina a quem, o que acabei fazendo”, disse, ao responder pergunta do relator da CPI da Petrobras, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ). Ela afirmou ter testemunhas da conversa com Chabas.

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Graça Foster afirmou que a Petrobras analisou todos os contratos com a SBM, sem identificar sobrepreço ou indícios de corrupção. “Eu não consigo imaginar como pode ser verdadeira a fala do (Pedro) Barusco (ex-gerente de Tecnologia da Petrobras, que fez delação premiada) de que ele, sozinho, recebia propina. Até hoje não temos um retrato oficial da propina da SBM. Só temos a fala do Barusco. A Petrobras fez investigações nos contratos com a SBM: fomos à CGU, ao MPF (Ministério Público Federal), à Holanda e eles entendem que não sabem quem pagou propina para quem”, disse a ex-presidente da empresa.

Delação de Barusco

Barusco disse, à Justiça Federal, que começou a receber propina da SBM em 1997 ou 1988, enquanto ocupava o cargo de gerente de Tecnologia de Instalações da Diretoria de Exploração e Produção da Petrobras. Como os contratos eram de longa duração, ele admitiu ter recebido propina regularmente até 2003, período em que era gerente de Tecnologia de Instalações. De 1997 (ou 1998) a 2010, disse ter recebido US$ 22 milhões de propina por conta de contratos entre a Petrobras e a SBM, dinheiro depositado em contas no exterior operadas por Júlio Faerman, representante da empresa.

Essa é a quinta vez que a ex-presidente Graça Foster vem ao Congresso explicar irregularidades na Petrobras.