Política

Convite do governador Tarso a Caleb abre crise no PSB

Presidente estadual Beto Albuquerque disse que quem ficar no governo "tem que sair do partido"

O convite do governador Tarso Genro ao ex-secretário de Infraestrutura Caleb de Oliveira (PSB) para ocupar o cargo de assessor especial do governo abriu uma crise no PSB. O anúncio foi feito nessa quarta durante o programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba, e teve repercussão imediata no partido socialista. 

De Brasília, o presidente estadual do PSB, Beto Albuquerque, mandou um recado para correligionários que estiverem insatisfeitos. "O partido tomou a decisão de deixar o governo, o que tem de ser respeitado por todos os filiados. Quem quiser ficar no governo tem que sair do partido", afirmou.

A opinião do presidente foi compartilhada pelo deputado Miki Breier, que pelo Twitter manifestou sua opinião: "Quando o partido toma uma decisão, mesmo que discorde, o filiado precisa seguir a orientação. Ou optar em abandonar a filiação. E a história se repete. Sempre há os que preferem permanecer em um cargo temporário a continuar construindo o protagonismo de seu partido." Outra liderança do PSB, no entanto, se solidarizou com Caleb. "Ficou um clima estranho e muito delicado para quem tinha cargo no governo", disse o deputado Heitor Schuch.

Para o chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, o convite ao ex-secretário não é provocação. "O PSB colocou os cargos à disposição, então cabe ao governador e às pessoas convidadas decidirem se devem ou não permanecer", destacou.

Recusa a cargos racha PDT

A recusa da direção do PDT em assumir a Secretaria de Infraestrutura, diretorias, cargos em comissão e assentos em conselhos de estatais que eram ocupados pelo PSB, oferta feita por Tarso, deu início a uma crise entre os pedetistas. Integrantes da executiva estadual e deputados que não foram consultados pelo presidente do PDT, Romildo Bolzan Jr., querem ser ouvidos.

Parte deles defende que a oferta seja aceita. O assunto foi debatido durante todo o dia de ontem entre deputados e será levado para um encontro regional em Bagé. Após a reação negativa, Bolzan Jr. convocou reunião ampliada da executiva para as 17h de segunda-feira.

A crise ocorre depois de, na terça-feira à noite, Bolzan, em nome do PDT, ter rejeitado convite para que o ex-prefeito de Passo Fundo, Airton Dipp, assumisse a Seinfra. Na mesma noite, pedetistas que não foram ouvidos começaram a organizar movimento para que exista discussão mais ampla a respeito do que o governo está oferecendo: além do comando de mais uma secretaria e de cargos de direção em diversas estatais, como a CEEE, o Daer e o Badesul, cerca de 200 cargos em comissão e assentos em estatais.

Conforme avaliação de Bolzan Jr., ao aceitar a proposta, o PDT mudaria completamente seu peso dentro da estrutura do governo, onde passaria a gerir aproximadamente 40% dos recursos.

"Devemos terminar nosso debate interno antes de definir posição, mas deveria pelo menos ter sido feita reunião com os deputados para saber a opinião da maioria. Dos sete estaduais, apenas dois foram consultados", informou o deputado Diógenes Basegio.

O vice-presidente do Banrisul, Flavio Lammel, afirmou que a base deve ser consultada também. "Estão nos oferecendo quase a metade do governo. Não é decisão para ser tomada às pressas. Eu gostaria de ter sido consultado. E as bases, que dizem que devemos ter candidatura própria em 2014, devem ser consultadas."

Com informações de Iuri Ramos e Flavia Bemfica

Bookmark and Share