Política

Convocação da Assembleia trouxe choque de realidade para Sartori

Oposição conseguiu obstaculizar todas as ações dos deputados ligados ao Piratini

Convocação da Assembleia trouxe choque de realidade para Sartori
Convocação da Assembleia trouxe choque de realidade para Sartori Foto : Dani Barcellos / Palácio Piratini / CP
A convocação extraordinária da Assembleia Legislativa resultou num choque de realidade para a administração do governador José Ivo Sartori (PMDB). Com uma base aliada formada por oito partidos no início de governo, desidratada com a aproximação das eleições, Sartori e seus estrategistas imaginaram que sairiam vitoriosos das votações dos últimos três dias no Legislativo. Mas não foi o que se viu.

A oposição, manobrando o regimento, conseguiu obstaculizar todas as ações dos deputados ligados ao Piratini. Artifícios de plenário, usados pelos que não queriam as votações, são normais. Os embates e as idas e vindas fazem parte da democracia em todos os parlamentos do mundo. O resultado, entretanto, é um evidente desgaste por parte do governo do Estado, que parece não ter calculado com precisão as possibilidades de as coisas não saírem como o planejado.

Resistência

Apesar da situação difícil, o governador Sartori demonstrou reação política em manifestação no Palácio Piratini, após o encerramento dos três dias de convocação extraordinária no Legislativo. Sartori estava visivelmente decepcionado, revelando na voz e no semblante que sentiu o golpe da estratégia derrotada em plenário.

Mas soube, em um discurso intenso, demonstrar atitude, indicando que não pretende desistir de fechar acordo com a União. E Sartori tem razão. Como líder dos gaúchos, o peemedebista não pode renunciar ao compromisso de equilibrar as finanças e devolver o crescimento ao Estado. Acrescente-se que a crise traz rara oportunidade ao Piratini.

Sartori tem a chance agora de sentar-se diante do presidente Michel Temer e expor a sua situação política, de revelar à cúpula do Planalto que não conseguiu que os deputados gaúchos aceitassem as condições impostas pelo Ministério da Fazenda. Com isso, talvez obtenha acordo mais vantajoso para o Estado e possa, até mesmo, unir governo e oposição em torno de uma mesa.