Política

Costa discorda de valor de prejuízo com corrupção na Petrobras

Ex-diretor da estatal falou que não era o único a receber propina

Ex-diretor da estatal falou que não era o único a receber propina
Ex-diretor da estatal falou que não era o único a receber propina Foto : Beto Nociti / Folhapress / CP Memória
Em depoimento prestado nesta sexta-feira à Justiça Federal em Curitiba, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, considerou o prejuízo de R$ 88,6 bilhões, estimado com as perdas por corrupção na Petrobras, como um "equívoco gigantesco". Nos esclarecimentos ao juiz federal Sérgio Moro, o ex-diretor afirmou que o pagamento de propina ocorria apenas nos contratos das empreiteiras que faziam parte do cartel nos contratos com a estatal.

"A Petrobras tem milhares de contratos. Os contratos que teve problema de propina foram os contratos das empresas do cartel. Eu listei (na delação) 12 ou 13 empresas do cartel. Se olhar o número de empresas que tem contrato com a Petrobras, são centenas de empresas. Há um equívoco gigantesco nesse número que se fala aí", disse.

O levantamento sobre o prejuízo foi feito por consultorias independentes e indicou que a Petrobras teria acumulado prejuízo de R$ 88,6 bilhões com os casos de corrupção. No entanto, o valor foi desprezado, porque a metodologia foi considerada inadequada. Após a divulgação do número, a ex-presidente da estatal Graça Foster renunciou ao cargo.

Costa foi ouvido na ação penal em que Nestor Cerveró e o empresário Fernando Soares são réus. Ele teria direito de ficar em silêncio, mas foi obrigado a responder as perguntas por ter assinado acordo de delação premiada.

Costa não teria sido o único diretor  a receber propina

No depoimento, Costa afirmou que não foi não foi o único dirigente da estatal que recebeu propinas para não atrapalhar a compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Costa disse que US$ 1,5 milhão lhe foi passado pelo lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado com operador do PMDB na estatal petrolífera.

O juiz Sérgio Moro, que conduz todas ações da Lava Jato, perguntou a ele se Fernando Baiano lhe disse se outros diretores também receberam propina por Pasadena. "Ele (Baiano) não falou, mas, se eu recebi, outros receberam. Por que só eu receberia?" Renato Duque, por meio de sua defesa, tem reiterado que jamais recebeu propinas.

Costa afirmou também que não era o único dirigente da estatal que recebeu "vantagens indevidas" do cartel empreiteiras. Costa contou que 2% sobre o valor dos contratos de sua área eram desviados para a o PT, via Diretoria de Serviços da estatal. O partido, segundo ele, captava 3% de outras diretorias.