Em uma nota oficial divulgada na noite desta segunda-feira, o Comando de Greve do Cpers Sindicato chamou de "leviano" o posicionamento do governador José Ivo Sartori (PMDB), que durante a posse do secretário estadual da Educação, Luiz Alcoba, sugeriu, no fim dessa manhã, que movimentos sociais e partidos políticos estejam usando estudantes como “estratégia de combate”. Ele se referia às ocupações de escola, registradas há cerca de três semanas, em mais de 100 instituições da rede pública estadual.
“Além de desconhecimento, o que não se concebe para alguém que queira dirigir um Estado, ele demonstra total desrespeito aos estudantes ao não atribuir a eles capacidade de ter visão crítica e posicionamento claro em relação às condições da educação pública em nosso Estado, das políticas que o governo tenta impor à sociedade gaúcha e também da capacidade de organização e de autonomia”, critica o Cpers, no comunicado.
Sartori entende que os alunos estão servindo como massa de manobra e, hoje, lamentou a situação. “Eu quero a ajuda das famílias e das demais instituições do Estado para mediar o diálogo com os estudantes. Mas eu preciso lamentar que os alunos estejam servindo como estratégia de combate por grupos políticos e sindicais, lembrando que menores são os envolvidos. Ressalto que o desejo da comunidade escolar é de ter aulas”, analisou o governador.”
Veja o texto na íntegra:
“Nota oficial do Comando de Greve do CPERS em repúdio as declarações de Sartori contra educadores e estudantes
O governador Sartori quando critica o CPERS e lamenta o uso político de estudantes, durante a posse do secretário de Educação, Luiz Antonio Alcoba de Freitas, demonstra o seu total desconhecimento do que está acontecendo no Rio Grande do Sul em relação à educação. Além de desconhecimento, o que não se concebe para alguém que queira dirigir um Estado, ele demonstra total desrespeito aos estudantes ao não atribuir a eles capacidade de ter visão crítica e posicionamento claro em relação às condições da educação pública em nosso Estado, das políticas que o governo tenta impor à sociedade gaúcha e também da capacidade de organização e de autonomia.
Além disso, Sartori é extremamente leviano ao atribuir ao CPERS o uso desses estudantes politicamente. O CPERS é um Sindicato que há 71 anos luta e tem responsabilidade com os educadores e a educação pública.
O governo Sartori não é o primeiro que passa por uma greve, mas com certeza é o primeiro que demonstra tamanho despreparo de governar e gerir conflitos.
Em seu discurso, Sartori fez duras críticas aos professores grevistas e aos alunos que mantém às ocupações. Vejamos se ele tem razão:
Educadores que ganham 30% do que deveriam receber do Piso Salarial Profissional Nacional, alunos que convivem com goteiras, falta de luz, choque elétricos dentro das escolas, devido à falta de manutenção das instituições, e falta de merenda por causa do repasse das verbas. Estas são apenas algumas das razões que foram determinantes para a greve e as ocupações. Além da preocupação prioritária que é a privatização da educação, através do PL 44 e do PL 190 que é uma verdadeira mordaça que impede a livre expressão do pensamento na escola pública.
O governo fala da preocupação com os alunos que estão perdendo aula por causa da greve dos educadores. Qual a resposta do governo para a comunidade escolar sobre a falta de professores em muitas escolas do Estado, desde março, e que até hoje não chegaram nas instituições?
Esta falsa preocupação de Sartori tem, única e exclusivamente, o objetivo de tentar desacreditar um movimento legítimo, sério e com o reconhecimento e o apoio da grande maioria da comunidade escolar.
Sartori não combate efetivamente a sonegação e não revisa os incentivos fiscais (você sabia que a cada 30 segundos é sonegado um Piso Salarial do Magistério?). Demonstra, assim, querer um Estado a serviço dos grandes empresários e sem responsabilidade com as políticas públicas, pois para eles tudo pode, mas para o povo nada pode.
Nós do CPERS repudiamos veementemente essa postura do governador Sartori e seus aliados. Não podemos deixar de dizer que essa postura nos envergonha profundamente, pois o Rio Grande do Sul sempre foi motivo de orgulho para o povo gaúcho e hoje nós nos sentimos apequenados pela forma que o governo Sartori trata uma ação legítima que é a da greve, um direito constitucional, e das ocupações frente a sua intenção de destruir a escola pública.
Chamamos a comunidade escolar para aumentar a pressão em defesa de uma escola pública de qualidade e com educadores valorizados e estudantes respeitados!”
Cpers critica declarações "levianas" de Sartori sobre ocupações de escolas
Sindicato também refuta sugestão do governador de que esteja usando movimento estudantil durante a greve do magistério