Descontente com os levantamentos referentes à adesão à greve, Rejane questionou os números do governo, que dão conta de que, das 2.574 escolas estaduais, apenas 18 estão totalmente paralisadas, o que representa 0,65% do total. Segundo ela, se o Estado fala que dos 79.370 professores, 3.783 aderiram à greve, o equivalente a 4,7%, não há necessidade de recuperar aula. “Os dados estão maquiados. Por que essa pressão para aulas no verão se para eles não há greve? Há algo errado nessa contabilidade”, ironizou.
O Cpers segue sem apresentar dados concretos sobre o peso político da paralisação. O comando de greve volta a se reunir nesta terça-feira e, por enquanto, segundo a sindicalista, não há possibilidade de desmobilizar a categoria. "Realizaremos um novo protesto, dessa vez na frente da Assembleia Legislativa, nesta terça-feira", projetou.
Nesta segunda-feira, o secretário estadual da Educação, Jose Clóvis de Azevedo, afirmou que a negociação do piso nacional do magistério não passa mais pelo Executivo gaúcho e é uma discussão que deve ser feita com o governo federal. Azevedo ainda explicou que o governo paga um complemento aos professores para atingir o valor do piso, mas é inviável o repasse desse valor como vencimento básico (sobre o qual incidem as vantagens), como quer o Cpers, já que isso representa um custo de R$ 3 bilhões.
Ainda assim, o secretário revelou que as discussões em Brasília sobre a alteração do indexador do piso, que hoje é o custo-aluno do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e da Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), podem evoluir. Inicialmente o governo defendia a troca desse indexador, para que use como base a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), mas agora já existe a possibilidade de remuneração com ganho real, com o pagamento de uma diferença sobre esse percentual. Uma das alternativas, segundo Azevedo, pode ser o INPC mais a metade da variação real do Fundeb.