“O que nós precisamos saber objetivamente é: as informações da Agência Nacional do Petróleo (ANP) foram violadas ou não? Essas informações serão utilizadas para que essa ou aquela companhia, pública ou privada, possa disputar essa concorrência com privilégio? No caso da espionagem do Canadá, ela tem a ver com a disputa entre Bombardier e Embraer? Essas são as informações importantes que precisamos saber”, explicou o relator da CPI, senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES).
O senador disse que tem pressa em ouvir Snowden e outros convidados porque pretende entregar seu relatório até o fim do ano. A CPI da Espionagem ouviu nesta quarta o jornalista britânico Glenn Greenwald e seu companheiro, o brasileiro David Miranda. Glenn publicou reportagens com base nos documentos vazados por Snowden e Miranda foi detido em sua última passagem pela Inglaterra para prestar esclarecimentos sobre o assunto.
A CPI da Espionagem foi motivada pelas reportagens de Greenwald denunciando que a NSA estaria monitorando as comunicações de cidadãos e empresas brasileiras. Os e-mails de assessores diretos da presidenta Dilma Rousseff e da Petrobras teriam sido violados, conforme as reportagens e documentos apresentados pelo jornalista.
Foram aprovados ainda convites para ouvir o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Batista de Rezende; e o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello Coimbra; e Marcelo Itagiba, que foi superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro e contribuiu anteriormente com a CPMI do Cachoeira sobre grampos e espionagem. Para contribuir com auxílio técnico aos membros da CPI, foi aprovado convite ao doutorando em Teoria Geopolítica, Economia e Indústria de Defesa, Ronaldo Gomes Carmona.