Política

CPI dos Fundos de Pensão aprova convocação de Dirceu e dos irmãos Pascowitch

Milton Pascowitch será o primeiro a ser ouvido, na segunda quinzena deste mês

A CPI dos Fundos de Pensão aprovou nesta quinta-feira a convocação, como testemunhas, do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, do empresário Gerson Almada, sócio da Engevix, e dos irmãos José Adolfo Pascowitch e Milton Pascowitch, apontados como operadores na companhia em irregularidades investigadas na Operação Lava Jato.

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fundos de Pensão, Efraim Filho (DEM-PB), afirmou hoje que o empresário Milton Pascowitch, será o primeiro investigado na Operação Lava Jato convocado para depor sobre suspeitas de irregularidades. Acusado de atuar junto à Engevix, empresa acusada de pagar propinas a ex-diretores da Petrobras, Pascowitch foi solto em 29 de junho pela Justiça após firmar um acordo de delação premiada
para colaborar com as investigações na Lava Jato. Ele deve ser ouvido ainda pela CPI na segunda quinzena
deste mês. Segundo Efraim Filho, após o depoimento do delator, a CPI definirá como será as oitivas de Dirceu e Almada, ambos ainda presos.

Na série de requerimentos aprovada por consenso, a CPI convidou ainda, entre outros, o diretor-superintendente da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), Carlos Alberto de Paulo, para "prestar esclarecimentos acerca da dilapidação do patrimônio de grandes fundações patrocinadas por empresas estatais", a presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Julia Damazio de Barroso Franco, e o ex-presidente da Sete Brasil, João Carlos Ferraz.

Depois das aprovações, a CPI ouviu o presidente da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), Gueitiro Genso. Ele defendeu investimentos feitos no passado na Sete Brasil - criada para atuar no fornecimento de sondas para a Petrobras e investigada na Operação Lava Jato - e na Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop), suspeita de irregularidades durante a gestão do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto na presidência.

Segundo Genso, na Sete Brasil a Previ iniciou com um aporte de R$ 180 milhões, ou 9,9% do capital à época, e hoje tem 2,31%, após o fundo de pensão não participar de novos aportes de capital e ter sua fatia diluída. "Analisando no passado, foi investimento adequado à política. O segundo aporte tinha premissas positivas, mas quando chegou na área técnica, foi avaliado que não deveríamos exercer o direito por conta do valor do investimento à época", disse. "O objetivo é que esses R$ 180 milhões retornem e estamos otimistas no novo redesenho da Sete Brasil.
Avaliamos essa reestruturação como possibilidade de rever nossos investimentos".

Sobre a Bancoop, o presidente da Previ disse que o investimento, feito em 2005, foi bom, pois tinha rating positivo de instituições de classificação. "Não houve prejuízo no investimento e o recuperamos". Genso negou ainda conhecer o doleiro e Alberto Youssef e Vaccari e disse não saber informar se houve ingerência de ambos em fundos na Previ. Disse ainda não conhecer o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.

Funcionário de carreira do Banco do Brasil, Genso afirmou que a indicação para o cargo foi técnica, feita pela presidência da instituição financeira e que chegar ao comando da Previ, correspondente a uma vice-presidência do banco, fazia parte da aspiração dele. Ele informou que seu salário é público, de R$ 58,3 mil mensais, e segue as mesmas regras de remuneração do banco.

Durante a explanação, o presidente da Previ defendeu todos os investimentos feitos pelo fundo de pensão desde 2004, que renderam 286%, acima da meta de 188,31% no acumulado do período.