A corrida contra o tempo da presidente Dilma Rousseff para encontrar um nome com credibilidade no mercado para reerguer a Petrobras ganhou nesta quinta-feira, dois novos obstáculos: a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados para apurar desvios na Petrobras e a deflagração da nona etapa da Operação Lava Jato. Os dois elementos reforçam o que é apontado nos bastidores como o maior empecilho a encontrar um substituto para a atual presidente, Graça Foster: o risco de surgirem irregularidades ainda não detectadas.
Dilma passou o dia em contatos para encontrar um nome, auxiliada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. A intenção do Planalto é anunciar a nova diretoria nesta sexta-feira, na reunião do Conselho de Administração da estatal na qual será formalizada também a saída de cinco diretores e da própria Graça.
O nome mais cotado continuava sendo o do presidente da Vale, Murilo Ferreira. Com boa reputação no mercado, o executivo conta com a simpatia de Dilma e Mercadante. É apontado também como alguém capaz de fazer mudanças fortes na condução da Petrobras.Seria capaz de produzir um efeito semelhante ao que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, gerou em relação à política econômica.
Segundo se comenta nos bastidores, Ferreira também teria mais dificuldade em recusar a missão de chefiar a Petrobras neste momento de incertezas do que outros executivos de mercado. Isso porque ele está na Vale, uma empresa que tem entre seus principais acionistas os fundos de pensão das empresas estatais federais. Assim, o poder de pressão do Planalto sobre ele é um pouco maior.
CPI e “My Way” dificultam escolha de nome para reerguer Petrobras
Risco de surgirem irregularidades ainda não detectadas é empecilho para decisão sobre novo presidente